Quando Todd Archer e Adam Schefter da ESPN noticiaram a aposentadoria de Tony Romo, as primeiras perguntas rodeavam ao redor do quanto seria liberado na folha salarial do Dallas Cowboys.

O Dallas Cowboys oficialmente preencheu os papéis com a NFL para a dispensa de Tony Romo, o designando como uma dispensa pós 1º de junho, de acordo com fontes da ESPN.

Por ser um corte pós 1º de junho, uma medida especial da NFL que permite o Cowboys a espalhar o cap hit do salário de Romo em dois anos no lugar de um, o time conseguiu abrir um pouco mais de espaço esse ano. Para entender quanto de espaço o Cowboys poderá abrir, primeiro precisaremos entender como o contrato do Romo foi estruturado.

Pelo fato de Romo ter seu contrato extendido e reestruturado várias vezes, há alguns bônus que ainda contaram na folha salarial até o fim da temporada passada. O salário base, bônus de assinatura, bônus de opção e o bônus pelas reestruturações estão resumidos no gráfico abaixo.

Créditos: Blogging The Boys

Talvez você já esteja familiarizado com alguns dos números do gráfico, já que os 24,7 milhões de dólares que seriam contados na folha salarial em 2017 foi bastante discutido nos últimos meses. Esse valor é a soma dos US$14 milhões de salário base em 2017 e os dois bônus que juntos somam US$10,7 milhões.

Quando um jogador é dispensado ou se aposentado, todo bônus de assinatura que ainda resta em seu contrato é contado no ano atual. No caso do Romo, isso daira 19,4 milhões de dólares em bônus restantes em seu contrato — 5 milhões de bônus de assinatura em 2017 e os bônus de reestruturação de 2017, 2018 e 2019, respectivamente 5,7, 5,7 e 3,2 milhões de dólares, que somados chegam ao valor de US$19,4 milhões.

Mas caso um jogador seja cortado depois do dia 1º de junho ou seja designado como um “corte 1º de junho”, apenas a parte de 2017 do bônus de assinatura contaria na folha salarial de 2017, enquanto o resto contaria no salary cap de 2018.

No caso de Romo, isso significa que apenas os bônus ainda não amortizados de valor de US$10,7 milhões contariam imediatamente (5,7 + 5,0 = 10,7), enquanto os 8,9 milhões de dólares de bônus não amortizados para 2018 e 2019 (5,7 + 3.2 = 8,9) contariam apenas em 2018.

Com o seu corte/aposentadoria, o Cowboys diminui o impacto do salário de Romo em sua folha de 24,7 milhões de dólares para US$10 milhões, economizando US$14 milhões. O detalhe é que o time precisará arcar com os 8,9 milhões de dólares de dead money em 2018.

Outro ponto importante é que esses 14 milhões de dólares economizados não estarão disponíveis ao Dallas Cowboys até o dia 2 de junho.

A NFLPA, o sindicato dos jogadores, indica o Cowboys com apenas 1,4 milhões de dólares disponíveis no salary cap no momento, mas isso ainda não conta com a possível aposentadoria de Doug Free que abriria mais 5 milhões de dólares de espaço. Combinado, esses $6,4 milhões de dólares devem ser suficientes para o Cowboys assinar com todos os jogadores que serão escolhidos no draft — a não ser que o time contrate mais free agents antes disso. Nesse caso, o time pode abrir mais 4 milhões de dólares do contrato recém assinado por Jason Witten, o que resolveria praticamente todos os problemas antes dos US$14 milhões de Tony Romo se tornem disponíveis em junho.

Isso coloca o time em uma boa condição abaixo do teto salarial para seu elenco no começo da temporada, além de promover uma ampla margem para assinar com jogadores antes ou durante a temporada regular.

Gabriel Plat

Editor-Chefe em Blue Star Brasil
Curte NFL por escolha e o Dallas Cowboys por amor. Aprecia a boa música e compartilha outro sofrimento: o Botafogo. Um dos participantes do podcast.