Ao falar sobre qualquer draft de qualquer liga americana, seja futebol americano ou não, nós podemos ver que os times que estarão selecionando os jogadores avaliam não só o desempenho que os jogadores mostram dentro de campo, como também suas atitudes fora dele.

Jogadores que costumam ter problemas fora dos gramados acabam sendo preteridos durante o draft. Normal, afinal um jogador desse tipo pode acabar não rendendo o esperado por falta de comprometimento ou, dependendo do problema, por ser suspenso de várias partidas. Ainda, esse tipo de situação acaba trazendo uma oportunidade no momento do draft.

Pelo problema que o jogador tem fora de campo, ele acabará não sendo escolhido na rodada equivalente ao seu talento dentro de campo. Assim, obviamente, ele acabará sobrando em uma rodada no qual seu talento para jogar futebol americano é superior aos demais. Essa oportunidade de pegar um jogador talentoso com uma escolha que vale menos do que ele rende é tentadora — até demais.

Ao olharmos os últimos drafts do Dallas Cowboys, podemos ver que o time não costuma descartar jogadores que tiveram problemas fora de campo durante seu período no futebol americano universitário. Por mais que possa parecer ruim, essas escolhas já trouxeram bons frutos ao time.

A maior delas ainda está no time e veste a camisa 88. Sim, Dez Bryant. Na época, escolher Bryant foi considerado um risco por conta de alguns problemas em relação a sua maturidade, e ainda assO im o Dallas Cowboys o escolheu. Precisa dizer que a escolha deu certo?

O último caso importante no draft veio de La’el Collins. Apesar do jogador nunca ter tido problemas fora de campo, ele foi chamado para depor no caso do assassinato de sua ex-namorada. Mesmo que a polícia nunca tivesse o considerado como suspeito, todos os times da liga tiveram medo em selecioná-lo, o que fez com que La’el saísse da 1ª rodada para não ser draftado. Após o fim do draft, o Dallas Cowboys o convenceu a assinar com o time, e hoje ele é o titular da melhor linha ofensiva da NFL.

Mas como vocês sabem, nem tudo são rosas. O caso mais emblemático de agora é de Randy Gregory. Por conta de uso excessivo de maconha, Gregory foi selecionado no fim da 2ª rodada em 2015, apesar de ter talento para ser escolhido no começo da 1ª rodada. Mesmo apostando no jogador, o Dallas Cowboys se decepcionou constantemente com ele, visto que suas suspensões pelo uso de maconha continuaram acontecendo. Hoje, ele está suspenso por toda a temporada de 2017 pelo mesmo motivo. Outros casos de problemas fora de campo, mas que não vieram do draft foram de jogadores como Greg Hardy e Rolando McClain.

Dos jogadores com problemas fora de campo no Draft de 2017, podemos destacar estes:

  • OLB Tim Williams (Alabama): Um dos melhores pass rushers do draft, o jogador falhou diversos testes de uso de drogas durante seu período em Alabama. Além disso, há dúvidas sobre sua ética de trabalho;
  • OT Cam Robinson (Alabama): Outro jogador de Alabama, Robinson chegou a ser preso por posse ilegal de armas. Apesar da acusação ter sido retirada, a dúvida sobre o jogador permanece;
  • RB Joe Mixon (Oklahoma): Um dos running backs mais talentosos do draft, Mixon é uma das maiores incógnitas do recrutamento. O jogador foi flagrado em vídeo batendo em uma mulher em 2014, sendo preso em seguida. O NFL Scouting Combine vetou sua participação por conta disso;
  • DE DeVonte Fields (Louisville): Em 2014, Fields foi preso por agredir sua ex-namorada e ameaçá-la com uma arma. Depois de ser expulso de TCU, Fields teve uma nova chance em Louisville depois das acusações terem sido retiradas;
  • WR DeDe Westbrook (Oklahoma): Foi duas vezes preso e pelo mesmo motivo: violência doméstica. Em 2012, Westbrook foi acusado de empurrar a mãe de seus dois filhos no chão e em 2013 por socá-la e mordê-la;
  • WR Ishmael Zamora (Baylor): Comparado com Martavis Bryant (PIT) em relação a talento e problemas fora de campo, Zamora foi flagrado em vídeo batendo em seu próprio cachorro. O incidente o tirou do Combine.

Esses não são os únicos a terem problemas extra-campo, mas são alguns dos casos mais significantes até o momento. Provalvemente esses problemas farão com que eles sejam selecionados depois do que mereciam apenas pelos seus talentos.

A decisão de arriscar ou não no jogador precisa vir da análise da comissão técnica e do front office em relação ao jogador. É possível avaliar o grau de arrependimento e o de um comprometimento futuro do jogador em uma entrevista e similares. Essa avaliação ajuda a minimizar possíveis arrependimentos no futuro em relação a escolha do jogador.

Agora falando exclusivamente a minha opinião, acredito que não seja uma boa ideia apostar em jogadores desse tipo nas primeiras rodadas. O time tem buracos que precisam ser preenchidos de forma quase que urgente e usar uma escolha de 3ª rodada ou até maior em um jogador que corre risco de não dar certo — ou pior, de contaminar o vestiário — não me parece uma boa ideia. Se a aposta for feita do meio para o final do draft, acredito que ela possa ser válida.

E você, qual a sua opinião?

Gabriel Plat

Editor-Chefe em Blue Star Brasil
Curte NFL por escolha e o Dallas Cowboys por amor. Aprecia a boa música e compartilha outro sofrimento: o Botafogo. Um dos participantes do podcast.