Se eu te disser que há mais da NFL do que simplesmente o Draft e a Free Agency durante a offseason, você acredita? Bom, deveria.

Em um dos períodos menos badalados de uma temporada, acontece o maior evento entre os jogadores que estarão disponíveis para o recrutamento da NFL alguns meses depois. Trata-se do NFL Scouting Combine,

Mas o que ele realmente significa? O que é, como ele é feito, essas coisas?

Respondemos todas e mais outras perguntas nesse post. Optamos por dividi-lo em duas parte por estar bem extenso devido aos GIFs.

 

O que é o NFL Scouting Combine?

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O Combine nada mais é do que um evento que tem como objetivo avaliar de uma forma mais minuciosa os jogadores que estarão no NFL Draft do mesmo ano. O evento é sempre realizado em fevereiro e desde 1987 ele é sediado em Indianapolis, no estádio do Colts.

O Combine foi criado de forma inicial para apenas avaliar de forma médica os jogadores, e depois se expandiu para quatro fases: A medição dos atletas, as entrevistas com os times, a parte médica e os testes físicos. Indianapolis foi inicialmente escolhida como sede por ser uma cidade reconhecida nos Estados Unidos por ter ótima estrutura hospitalar, e suportar uma carga tão grande de exames médicos, tendo um número de equipamentos, como o de raio-x e ressonância magnética, capaz de atender a grande quantidade de atletas que são convidados ao evento.

Com uma semana de duração, o Combine realiza uma série de testes físicos e mentais com os jogadores, além de abrir um espaço para que membros de times da NFL façam entrevistas particulares com eles. Os testes e as entrevistas impactam de forma significativa a projeção dos jogadores para o NFL Draft.

Devido a esse impacto no Draft, o Combine deixou de ser reservado apenas às equipes da NFL e se tornou um evento para todo fã do esporte. Não só há venda de ingressos para assistir os testes físicos, como há também transmissão ao vivo dos testes dos jogadores, com análises e o profissionalismo que a NFL está acostumada a oferecer.

Apesar de ser um evento que engloba jogadores que estão saindo do futebol americano universitário, não são todos que são convidados. Um comitê de seleção formado a cada ano é responsável por convidar os jogadores. O Combine estabelece um máximo de 335 jogadores para o evento, e caso um jogador recuse ou não possa participar, não será chamado outro atleta para seu lugar.

Vale lembrar também que não ser convidado não é sinônimo de não entrar na NFL. Há casos e mais casos de jogadores que não foram chamados para o Combine e que estão na liga. Pegando o Dallas Cowboys como exemplo, temos Cole Beasley, Brandon Carr e Lucky Whitehead como parte dos jogadores que não participaram do evento e que chegaram até a NFL. No ano de 2015, 41 jogadores que não foram convidados ao Combine foram selecionados no Draft, incluindo três na quarta rodada.

 


 

O que o NFL Scouting Combine avalia?

DeMarcus Lawrence realiza um dos exercícios. (Foto: UTSan Diego)
DeMarcus Lawrence realiza um dos exercícios. (Foto: UTSan Diego)

Antes de qualquer coisa, o Combine serve para mostrar aos times da NFL o quanto os jogadores estão preparados e o quanto eles podem render jogando no nível profissional. Para isso, o Combine realiza uma série de testes físicos (Workout Drills) e testes específicos para a posição do jogador (Position Drills), cujo objetivo principal é avaliar características específicas que os jogadores precisam ter para jogar no ritmo da NFL.

Por ser um teste mais, vamos dizer assim, “geral”, falaremos primeiro dos testes físicos.

 


 

Os GIFS podem travar na primeira vez em que ele rodar. Portanto, espere ele rodar pela segunda vez para vê-lo perfeitamente.
 

1. 40-Yard Dash (Tiro de 40 Jardas)
Jadeveon Clowney
Jadeveon Clowney, primeira escolha geral do Draft de 2014

O 40-Yard Dash talvez seja o teste mais visto dentre todos realizados. Nele, o jogador precisa dar um pique e correr uma distância de 40 jardas (36,5 metros) no menor tempo possível, algo bem parecido (em suas devidas proporções) com os 100 metros rasos das Olimpíadas. Mas diferentemente dos eventos de corrida dos jogos olímpicos, o tempo no 40 yard dash só começa a contar após o atleta iniciar a sua corrida, e não a partir de um sinal. Sendo assim, o teste não avalia a reação do jogador, tão importante na NFL após o snap.

Para se ter uma avaliação mais precisa, o teste mede não só o tempo em que o jogador correu as 40 jardas, como também as 10 e as 20 primeiras jardas.

As primeiras 10 jardas são essenciais para avaliar a explosão e a agilidade do jogador. Entre jogadores mais pesados, como os de linha ofensiva, o tempo feito nas 40 jardas não é tão interessante para os técnicos quanto a explosão e a agilidade do jogador na curta distância de 10 jardas. Já entre jogadores mais leves, como running backswide receiverslinebackersdefensive backs, a velocidade nas 40 jardas é tão importante quanto as 10 ou 20 primeiras.

 

2. Bench Press (Supino)

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O Bench Press, mais conhecido como supino, é outro teste bem popular no Combine. Mesmo que muitos já saibam, nunca é demais explicar: nesse teste, o jogador (deitado para cima) deverá fazer o maior número de repetições levantando um peso de 225 libras (102kg). O que os técnicos buscam nesse exercício é ver não só a força do jogador, como também a resistência e a assiduidade do jogador na musculação durante sua época universitária.

Dependendo do número de repetições, os técnicos e general managers da NFL conseguem perceber se o jogador começou a se exercitar apenas nos últimos meses, ou passou seus últimos anos se dedicando a se fortalecer. Por ser uma prova que exige muita força, os jogadores das posições de linha (defensiva e ofensiva) se sobressaem, com destaque também para linebackerstight ends e até running backs.

Igor Olshansky, defensive end que atuou no Dallas Cowboys entre 2009 e 2011, conseguiu 43 repetições, duas a menos que o recorde histórico do evento.

Uma das críticas feitas ao exercício é que ele não mede a real força que o atleta demonstra em campo, já que o sucesso no exercício depende apenas da força no tronco do jogador, sendo a força nas pernas tão ou mais importante.

 

3. Vertical Jump (Salto Vertical)
Jamie Collins, selecionado na segunda rodada do Draft de 2013
Jamie Collins, selecionado na segunda rodada do Draft de 2013

O Salto Vertical é o que o nome já diz. O teste nada mais é do que um pulo para ver até onde o jogador consegue alcançar. Primeiro, é medido o alcance do jogador em pé e no chão. Depois, o jogador precisa saltar e mexer o maior número possível das chamadas flags, que serão responsáveis pela sua medição. A diferença entre as duas medidas é a medida oficial do salto vertical.

Nesse teste, os técnicos buscam ver mais especificamente a força que o jogador tem da cintura para baixo. Por serem de posições “favoráveis” ao teste, os wide receivers e os cornerbacks são os que mais se destacam, mas também vemos safetiestight endslinebackers conseguirem bons resultados.

Em 2015, Byron Jones foi o melhor cornerback e o segundo melhor de todo o Combine no exercício, conseguindo uma diferença de 44,5 entre as duas medições.

 

4. Broad Jump
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Byron Jones no momento que quebrou o recorde mundial do exercício

Falar do Broad Jump é praticamente igual a falar do Vertical Jump. A diferença basica dos dois é que enquanto o Salto Vertical você pula para cima, o Broad Jump você pula para frente. Nesse exercício, o jogador precisa saltar para frente na maior distância possível, mas sem se desequilibrar — ou terá que repetir o exercício! Assim como no Vertical Jump, os técnicos avaliam a força e a explosão do jogador utilizando os músculos da parte inferior do corpo.

Em 2015, o teste consagrou Byron Jones. O jogador não só foi bem, como também bateu o recorde mundial do exercício, realizando um salto para frente de nada menos que 12,3 pés, algo em torno de 3,7 metros! Esse exercício fez os técnicos olharem com mais cuidado ao jogador, que acabou sendo selecionado na primeira rodada pelo Dallas Cowboys.

 

5. 3 Cone Drill
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Andrew Luck, primeira escolha geral do Draft de 2012

O 3 Cone Drill é um exercício bem parecido com aqueles feitos em escolinha de futebol/soccer. Nele, os cones estão alinhados em forma de L e o jogador deverá fazer o seguinte percurso: correr para o segundo cone, voltar, ir novamente, virar a direita e correr até o cone seguinte, contorná-lo, voltar para o segundo cone e, ufa, voltar ao começo.

O teste serve basicamente para mostrar como o jogador muda de direção ao correr em alta velocidade. Isso ajuda não só a mostrar a capacidade de wide receivers em correr rotas e de cornerbacks para marcá-los, por exemplo, como também mostra a capacidade de um pass rusher de contornar a linha ofensiva e conseguir um sack.

O 3 Cone Drill é o exercício considerado por muitos o mais importante de todo o Combine. A habilidade de mudar de direção, flexionar e girar o quadril, e de explosão, são das mais importantes para diversas posições da NFL, principalmente as de defesa e as skill positions no ataque.

Em 2005, DeMarcus Ware conseguiu fazer o Three Cone Drill em 6,85 segundos, marca boa para sua posição. Para efeito de comparação, Ware conseguiu fazer o exercício em um tempo menor que Terrance Williams (7,01s) e DeMarco Murray (7,28s) e o mesmo que Sean Lee, mesmo sendo mais pesado. Não é a toa que Ware é o jogador com mais sacks na história do Dallas Cowboys.

 

6. Shuttle Run

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Também chamado de 5-10-5 por conta da distância (em jardas) que o jogador precisa correr, a Shuttle Run é similar ao 3 Cone Drill. Nele, o jogador precisa andar cinco jardas lateralmente para a direita, encostar no chão, correr 10 jardas para a esquerda, encostar no chão novamente e depois correr até o ponto onde começou. Há também a versão de 60 jardas, uma versão maior, mas com os mesmos conceitos.

Esse teste avalia a agilidade lateral do jogador e sua explosão em pequenas distâncias. O exercício é importante para avaliar jogadores da linha ofensiva e também linebackers e jogadores da secundária, que precisam ter agilidade lateral para conseguir marcar os recebedores do time adversário.

Assim como o 3 Cone Drill, a Shuttle Run é fundamental para os defensive backs. A agilidade lateral, mudança de direção, e habilidade de flexionar e girar o quadril são muito importantes para o sucesso de cornerbacks e safeties na NFL.

Em 2008, Mike Jenkins (cornerback) fez um tempo de 4,40 segundos no exercício, o pior dentre todos os CBs do Combine. Selecionado no fim da primeira rodada pelo Dallas Cowboys, Jenkins nunca valeu o investimento e saiu do time ao fim de seu contrato de calouro em 2012.


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Gabriel Plat

Editor-Chefe em Blue Star Brasil
Curte NFL por escolha e o Dallas Cowboys por amor. Aprecia a boa música e compartilha outro sofrimento: o Botafogo. Um dos participantes do podcast.