O alto som de um apito está a todo lugar nos gramados. Estaria vindo de uma câmera de televisão? A idade está indo e você está apenas ouvindo coisas?

E então você olha pros exercícios dos running backs do Dallas Cowboys, o apito está vindo das bolas enquanto os running backs fazem os exercícios de corda segurando ela firme.

“Sim, é uma boa técnica”, disse o técnico Jason Garrett. “É uma boa tecnologia. A ideia é de você segurar a bola no alto e firme, e você quer que a ponta da bola esteja para cima. Nós falamos em cinco pontos de contato (da bola com o corpo). Às vezes a bola não fica firme o suficiente e ele acaba caindo.”

“Você não quer a bola baixa e frouxa. Você quer ela firme no alto. É um bom mecanismo de se ter”, disse o técnico de running backs Gary Brown. “Eu quero essa bola cantando. Se essa bola estiver firme, ela vai cantar. É uma maneira diferente de reforçar a importância de mantê-la segura.”

Em fevereiro duranto o NFL Scouting Combine em Indianapolis, Tom Creguer, o inventor da tecnologia High and Tight e assistente técnico da Northwood University , procurou técnicos de running backs da NFL para lançar seu produto. O primeiro foi Ollie Wilson do San Diego Chargers, enquanto Gary Brown do Cowboys foi logo o seguinte. Os dois trocaram cartões e o Cowboys foi um dos quatro times a comprarem a bola com a tecnologia HnTv1.

Em 2010, Creguer decidiu que ele estava cansado dos fumbles do time. Ele treinava o time da Shepherd Michigan High School na época, que perdeu sete jogos por conta de fumbles no segundo tempo e terminou 1-8.

“Eu não sou um apostador”, disse Creguer., “mas eu apostaria que na pior das hipóteses estaríamos no oposto do que estávamos.”

Depois do fim da temporada, ele criou a bola para prevenir fumbles. Ele foi para uma convenção de sensores, “ouvindo todos esses engenheiros e cientistas. Você já imaginou um técnico nesse tipo de local?”

Ele era um técnico e não um cientista, mas ele aprendeu sobre compressão em uma área. E também aprendeu a maneira correta de segurar uma bola oval.

“Você não pode comprimir uma bola de futebol americano nas costuras”, disse Creguer. “As costuras rodam e a bola se mexe porque você está pressionando pra baixo.”

Depois de sete protótipos em cinco anos, Creguer foi ao mercado em janeiro. A bola High and Tight tem um sensor nos seus painéis. Enquanto a bola manter contato com o corpo e estiver no ângulo correto, apertada contra o peito, ela apita. Se perde contato, a bola fica em silêncio.

As bolas ovais estrearam no rookie minicamp do time, e os veteranos treinaram com ela durante os treinos dentro de campo. O sucesso do time foi tanto que o Cowboys já pediu mais bolas com a tecnologia.

“Eles amaram”, disse o Brown sobre os RBs. “A primeira vez que eles usaram foi meio difícil porque eles precisavam manter ela bem firme. Os braços ficaram um pouco doloridos. É ok. Eles vão se acostumar.”

Além do Cowboys, o Chargers, o Baltimore Ravens e o Indianapolis Colts compraram as bolas especiais. Vários times do futebol americano universitário também usam a bola.

Em 2014, os running backs de Northwood tiveram 11 dos 14 fumbles do time. Quando passaram a usar as bolas especiais, os running backs tiveram quatro dos sete fumbles do time.

Creguer disse que seus jogadores podiam diferenciar quando a bola não estava firme em seus braços e a partir daí eles instintivamente passaram a cobrir a bola antes de serem derrubados.

“Ela ajudou a criar consciência”, disse Creguer.

Dentro da sala de reuniões do Cowboys há uma placa escrita “A Bola, A Bola, A Bola”. Garrett costuma dizer para seu time que a estatística mais importante no futebol americano são os turnovers. Os times que ficam mais com a bola ganham mais jogos.

Em uma parede fora do vestiário, os técnicos colocam fotos semanais de jogadores segyrando a bola da maneira correta. Eles também colocam fotos de rivais usando técnicas erradas.

“Isso não é sobre força bruta”, disse Creguer. “É sobre uma pressão constante e fechando o buraco. (…) Você precisa ter uma memória muscular.”

Sofrer fumbles não é um grande problema para os running backs do Cowboys. Em 2015, Darren McFadden sofreu três e Joseph Randle sofreu um. Em 2014, DeMarco Murray sofreu cinco e Randle dois. Alfred Morris tem sete fumbles sofridos em quatro temporadas, mas nenhum em 2015.

Ezekiel Elliott, escolha de primeira rodada do Cowboys, sofreu quatro fumbles em sua carreira no college.

“Nós queremos ter certeza que nosso objetivo número um é proteger bem a bola esse ano”, disse Brown. “Nós não queremos sofrer fumbles nem uma vez sequer.”

Durante o Combine, Creguer foi até Elliott e o técnico de Ohio State, Urban Meyer, e mostrou à eles a bola.

“Ele ficou impressionado quando a viu”, disse Creguer.

Pouco mais de dois meses depois, o Cowboys selecionou Elliott na primeira rodada.

“Quando você tem a bola em uma posição perfeita com todos os pontos de contato cobertos e firmes, ela canta pra você”, disse Elliott. “Quando ela para de cantar, você sabe que está fazendo algo errado. Então você quer ter certeza que ela cante todo o tempo. Essas bolas chegaram esse ano, então é uma bola nova que eu nunca treinei. Em Ohio State, eles tinham bastões. Eles costumavam bater em nós com bastões, então eu achei essa ideia melhor.”

Gabriel Plat

Editor-Chefe em Blue Star Brasil
Curte NFL por escolha e o Dallas Cowboys por amor. Aprecia a boa música e compartilha outro sofrimento: o Botafogo. Um dos participantes do podcast.