DRAFT | O que esperar do primeiro dia?

DRAFT | O que esperar do primeiro dia?

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Foto: Brad Loper / The Dallas Morning News

Está chegando o grande dia! Sim, o dia em que jogadores universitários são selecionados entre as 32 franquias da liga, o dia do recrutamento – tradução não muito legal de draft para o português, mas tudo bem. Para facilitar o entendimento, o Blue Star trouxe diversas notícias de jogadores que visitaram o Dallas Cowboys ou que realizaram treinos. Não, o time não irá escolher todos que fizeram visitas, mas a chance de serem escolhidos é grande – inclusive pelo histórico recente do time.

Com o draft chegando (quinta-feira para ser mais preciso), o Blue Star Brasil preparou três posts pra você, leitor, ficar por dentro de como o Dallas Cowboys deve se portar no draft desse ano: quem escolher, quais possíveis movimentações, quais posições podem ser escolhidas em quais rodadas e por aí vai. Hoje, o texto englobará toda a análise do primeiro dia de draft.

Enfim, chega de conversa e vamos ao conteúdo:

 

Mas o que é o draft?

Como é o primeiro dos três posts, nada mais justo que simplificar o que é o draft, então lá vai:

draft, como já dito, é o evento no qual as 32 franquias da NFL escolhem jogadores do futebol americano universitário. Ao contrário dos últimos anos, onde o evento era sediado em Nova York, o draft de 2015 ocorrerá em Chicago.

Ao todo, o draft contém sete rodadas, onde cada time tem direito a uma escolha por rodada, além das escolhas compensatórias (que não falaremos aqui apenas para simplificar a explicação). Por motivos de equilíbrio, o pior time do ano anterior tem direito a ser o primeiro a escolher em cada rodada, enquanto o campeão do Super Bowl é o último.

Por conta de trocas, nem sempre todos os times tem uma escolha por rodada. Como por exemplo o Cowboys, que em 2013 não teve uma escolha de sétima rodada por tê-la trocado com o Miami Dolphins pelo center Bryan Cook e esse ano que trocou sua escolha de sexta rodada com o Baltimore Ravens pela sua escolha de sétima rodada e o linebacker Rolando McClain.

draft é separado em três dias. No primeiro dia ocorre a primeira rodada apenas, enquanto no segundo é feita a segunda e a terceira rodada e no terceiro dia a quarta, quinta, sexta e (ufa) sétima rodada. O evento de 2015 ocorrerá entre os dias 30 de abril e 2 de maio, que terá transmissão ao vivo da ESPN nos dois primeiros dias.

 

A escolha do Dallas Cowboys no primeiro dia do draft 2015
1ª Escolha
  • Número da escolha: 27ª da primeira rodada (27ª geral do draft)
  • Como conseguiu a escolha? 

Ao ser um dos quatro times eliminados na rodada divisional dos playoffs da temporada de 2014 da NFL, o Dallas Cowboys garantiu a 27ª escolha geral por conta dos critérios de desempate da liga.

 

Jogadores favoritos para a escolha

 

Kevin Johnson
Kevin Johnson
Foto: BaltimoreSun.com
  • Posição: Cornerback 
  • Universidade: Wake Forest
  • Altura: 6-0
  • Peso: 188 lbs

Kevin Johnson é considerado por muitos o segundo melhor cornerback do draft, atrás apenas de Trae Waynes, de Michigan State. Johnson jogou em um fraco time em sua universidade, porém acabou impressionando.

Johnson é um cornerback completo, jogando muito bem em marcação individual e por zona, e também sabe jogar em press off  coverage. Johnson tem boa velocidade e agilidade, e seu backpedal é refinado. Muda de direção muito bem e consegue marcar todas as rotas. Sabe fazer tackles e ajuda contra o jogo terrestre.

Algumas vezes, Johnson é muito agressivo ao tentar localizar a bola no ar, podendo cometer algumas faltas. Cedeu recepções fáceis em rotas curtas por dar muito espaço ao recebedor na linha de scrimmage. Foi expulso de uma partida por um tackle ilegal (hit no capacete de um recebedor indefeso).

Caso fosse selecionado, Kevin Johnson poderia ser titular do Cowboys logo como calouro, e ajudaria muito a secundária do time. Johnson, porém, deve ser escolhido antes da escolha 27.

 

Marcus Peters
Foto: Joe Nicholson / USA TODAY Sports
Foto: Joe Nicholson / USA TODAY Sports
  • Posição: Cornerback 
  • Universidade: Washington
  • Altura: 6-0
  • Peso: 197 lbs

Peters é um cornerback muito físico, e estaria disputando a posição de melhor CB da classe com Trae Waynes, caso não tivesse problemas fora de campo. Jogador muito atlético e tem o físico ideal para a posição.

Seu ponto forte é a marcação individual, principalmente jogando em press, fazendo contato com o recebedor logo na linha de scrimmage. Muito bom localizando a bola no ar e contestando o lançamento, desviando muitos passes e conseguindo diversas interceptações em sua carreira. Um dos melhores cornerbacks da classe parando o jogo terrestre.

Peters precisa melhorar seu trabalho de pés e técnica para ter sucesso na NFL. Ele ainda foi dispensado da universidade de Washington por problemas com os técnicos, após ser suspenso por uma partida na temporada pela própria comissão técnica.

Não fossem seus problemas fora de campo, Peters seria escolhido muito antes da escolha do Cowboys. Já que eles existem, ele tem uma boa chance de estar disponível quando Dallas estiver no relógio. Peters teria grandes chances de ser titular como calouro e seria uma boa aquisição para a secundária.

 

Byron Jones
Foto: Jared Wickerham / Getty Images
Foto: Jared Wickerham / Getty Images
  • Posição: Cornerback 
  • Universidade: Connecticut
  • Altura: 6-1
  • Peso: 199 lbs

Byron Jones passou a ser muito reconhecido após uma ótima atuação no Combine, onde quebrou o recorde do exercício Broad Jump, e ainda teve a melhor marca entre cornerbacks dessa classe em diversos outros exercícios.

Se engana quem pensa que Jones é apenas um ótimo atleta. Seu desempenho em campo também é muito bom. Jogando no fraco time de UConn, Jones perdeu boa parte da sua temporada de senior por uma lesão no ombro. Após jogar os seus dois primeiros anos de elegebilidade como safety, Jones foi convertido para cornerback e se saiu muito bem. Como seus números no Combine indicam, é um jogador muito físico e atlético. Joga muito bem em press coverage. Consegue seguir o recebedor e desviar o passe no alto. Ótima altura e envergadura. Trabalho de pés e técnica refinada. Sabe ler muito bem as rotas. Pode jogar em marcação por zona e sabe fazer tackles. Joga com muita velocidade e agilidade.

Os pontos fracos, no entanto, não deixam de aparecer. Jones tem alguns problemas com equilíbrio, o que o faz escorregar ou tropeçar em algumas jogadas. Tem também dificuldade na mudança de direção.

Byron Jones pode ser o melhor cornerback disponível na escolha 27. Essa sendo, provavelmente, a maior necessidade do Cowboys para a próxima temporada, Jones pode ser o escolhido. Ele daria ótimo atleticismo para um grupo de CBs que não conta com isso, além de ter chances de ser titular como calouro.

 

Melvin Gordon
Foto: Rick Wood
Foto: Rick Wood
  • Posição: Running Back
  • Universidade: Wisconsin
  • Altura: 6-1
  • Peso: 215 lbs

Melvin Gordon é considerado por muitos o segundo melhor running back da classe, atrás apenas de Todd Gurley, de Georgia. Ele teve média de 7,6 jardas por corrida na última temporada da NCAA, e quebrou o recorde de jardas corridas em uma única partida universitária.

Gordon é um jogador com ótima visão e paciência em suas corridas. Se encaixaria bem no esquema de bloqueio por zona de Dallas. É um jogador que termina muito bem as corridas, não tendo medo do contato. Boa agilidade e explosão. Consegue fazer cortes rápidos para achar o buraco na linha ofensiva e explodir para um bom avanço. Consegue escapar de tackles com alguns movimentos, como um spin move. 

Melhorou no jogo aéreo com o tempo, porém ainda existem algumas preocupações em sua habilidade de correr rotas e receber passes. Proteção contra o passe e blitz pick up problemático. Não faz os bloqueios com técnica. Em suas corridas, levou muito a bola para perto das laterais, ganhando apenas com sua velocidade, algo que não deve acontecer na NFL. Sofreu 7 fumbles na última temporada.

Gordon seria titular como calouro em Dallas e forte candidato ao prêmio de calouro do ano. Seria um upgrade em relação aos Running Backs atuais do elenco e pode substituir DeMarco Murray muito bem. Corria atrás de uma das melhores linhas ofensivas da NCAA, e pode fazer o mesmo na NFL, caso disponível na escolha 27. O jogador recentemente já declarou que gostaria de jogar em Dallas, além de ter aparecido em um programa de TV com a camisa do Cowboys.

 

Eric Kendricks
Foto: galleryhip.com
Foto: galleryhip.com
  • Posição: Linebacker
  • Universidade: UCLA
  • Altura: 6-0
  • Peso: 232 lbs

Kendricks é possivelmente o melhor linebacker de defesas 4-3 desse draft. Ele foi um dos jogadores defensivos mais produtivos nas últimas 3 temporadas do College Football, liderando o país em tackles individuais em 2014. Pode jogar tanto de Middle Linebacker como no Weak Side.

Kendricks é ótimo nos tackles. Faz jogadas de uma sideline até a outra. Boa reação, agilidade e velocidade para parar as corridas. Diferente da maioria dos linebackers da classe, é um jogador de 3 downs, jogando muito bem tanto em man como zone coverage. Ótima técnica e conseguiu forçar diversos turnovers ao longo de sua carreira. Escapa muito bem dos bloqueios e sabe sua função no esquema.

Líder e capitão da defesa de UCLA. Kendricks é um pouco baixo e leve para a posição, e isso pode o limitar na NFL. Não teve muitos tackles para perda de jardas ao longo da carreira. Fraco na blitz, acrescentando pouco ao pass rush do time.

Kendricks provavelmente estará disponível na escolha 27. Talvez não seria titular como calouro, porém seria um ótimo reserva em seu primeiro ano, podendo substituir Rolando McClain nas terceiras descidas e ser o reserva imediato de Middle Weak Side Linebacker, podendo ser titular em uma dessas posições já em seu segundo ano na liga.

 

Owamagbe Odighizuwa
Foto: Eric Risberg / AP Photo
Foto: Eric Risberg / AP Photo
  • Posição: Defensive End
  • Universidade: UCLA
  • Altura: 6-3
  • Peso: 267 lbs

Odighizuwa tem o físico perfeito para jogar de Defensive End na NFL. Com tamanho ideal e muito atleticismo, ele pode se desenvolver em um grande jogador.

Odighizuwa é um bom jogador parando as corridas, escapando bem dos bloqueios, se encaixando muito bem para jogar de Left End em Dallas. Joga com muita força e explosão. Jogador muito competitivo e determinado, não desistindo das jogadas.

Odiggy ainda precisa melhorar muito no pass rush, porém tem todas as ferramentas físicas e atléticas para se tornar um bom pass rusher. Consegue pressionar o quarterback fazendo a volta no Offensive Tackle, porém quando é bloqueado, não tem bons movimentos para escapar do bloqueador. Já passou por duas cirurgias no quadril, perdendo toda a temporada de 2013 por conta de uma delas, algo que preocupa os times da NFL.

Com a suspensão de Greg Hardy, Odighizuwa seria o terceiro jogador na rotação de defensive ends como rookie, atrás de DeMarcus Lawrence e Jeremy Mincey. Como Hardy e Mincey tem seus contratos se encerrando ao fim da temporada, Odighizuwa poderia ser o titular ao lado de DeMarcus Lawrence a partir de 2016.

 

Jogadores que correm por fora
Todd Gurley
  • Posição: Running Back
  • Universidade: Georgia

Gurley é o melhor running back da classe e seria com certeza escolhido nas primeiras 10 escolhas do draft, não fosse uma ruptura no ligamento de seu joelho. Mesmo com a lesão, Gurley não deve sobrar na escolha 27, porém seria o substituto ideal para DeMarco Murray.

Randy Gregory
  • Posição: Defensive End
  • Universidade: Nebraska

Gregory é um jogador com talento para ser escolhido no top 10, porém problemas com drogas e um anti-doping positivo no combine podem prejudicá-lo no dia do draft. Dentro de campo, Gregory seria uma ótima adição para o pass rush de Dallas.

Tevin Coleman
  • Posição: Running Back
  • Universidade: Indiana

Coleman não vale a escolha 27, porém essa pode ser a única chance de selecionar o talentoso Running Back. Caso Gurley e Gordon já tenham sido escolhidos, e Jerry Jones queira encontrar o substituto de Murray na primeira rodada, Coleman pode ser a escolha.

Carl Davis
  • Posição: Defensive Tackle
  • Universidade: Iowa

Davis foi o único defensive tackle a visitar o Cowboys no período pré-draft. Apesar de ser improvável que Dallas escolha um jogador dessa posição na primeira rodada, caso essa seja a decisão, Davis pode ser a escolha.

 

Chances de troca?

Sim. Bastante até. O Dallas Cowboys nos últimos anos vem trabalhando com a estratégia de selecionar o best player available (BPA), o melhor jogador disponível. Dessa forma, caso o Dallas Cowboys não ache que nenhum jogador disponível valha a escolha 27, a chance de fazer uma troca é alta. Em 2013, o Dallas Cowboys, na mesma estratégia, realizou uma troca com o San Francisco 49ers e, com as escolhas que recebeu, selecionou o center Travis Frederick e o wide receiver Terrance Williams, ambos titulares na temporada passada. Nada mal, não?

O Dallas Cowboys ainda conta com algo importante: o poder de barganha. Com uma boa classe de wide receiverscornerbacks cotados para sair na primeira rodada e com vários times precisando de jogadores nas duas posições, o Cowboys se vê com a faca e o queijo na mão. É possível que algum dos primeiros times a escolher no draft de 2015 tente voltar para a primeira rodada em busca do jogador da posição que ainda necessita de um bom jogador (cornerback ou wide receiver, dependendo da primeira escolha da equipe) para garantir que esse jogador vá jogar em seu time, sem correr o risco de outro time selecioná-lo na sua frente. Essa possibilidade dá ao Dallas Cowboys a possibilidade de barganhar por alguma troca que acabe sendo bem mais vantajosa que escolher um jogador que não valha a escolha 27.

E para trocar por uma pick mais alta, há a chance? Sim. Alguns jogadores que correm por fora, como os citados acima, não são cotados a ser escolhido pelo time por terem chances muito altas de serem selecionados antes da escolha de Dallas. Apesar disso, há a chance de trocar por um dos jogadores caso ele não seja selecionado no começo do draft. Quanto mais esses prospects acabarem sobrando em uma escolha próxima ao do Cowboys, maior a chance do time fazer uma troca para garantir o jogador em uma escolha antes da 27.

 


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Gabriel Plat

Editor-Chefe em Blue Star Brasil
Curte NFL por escolha e o Dallas Cowboys por amor. Aprecia a boa música e compartilha outro sofrimento: o Botafogo. Um dos participantes do podcast.