E se fosse o Dallas Cowboys no Super Bowl?

E se fosse o Dallas Cowboys no Super Bowl?

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Foto: Jim Rogash

1º de fevereiro de 2015. Os Estados Unidos – e o mundo – paravam para ver o maior espetáculo esportivo do ano, o Super Bowl. Jogando contra o New England Patriots, o Seattle Seahawks esteve perto de realizar um feito que poucos conseguiram (e isso inclui o Dallas Cowboys): vencer dois Super Bowls consecutivos. A glória, entretanto, foi enterrada no minuto final, quando o Russell Wilson foi interceptado na linha de uma jarda do campo de ataque – o touchdown viraria o jogo e praticamente definiria Seattle como campeão.

Mas, e se fosse o Dallas Cowboys no lugar do Seattle Seahawks? Tony Romo teria conduzido o time para a maior glória do esporte? A defesa teria forçado dois turnovers em cima de Tom Brady? DeMarco Murray continuaria com a boa fase da temporada?

Pois bem, prever tudo isso é um pouco complicado, já que são vários fatores envolvidos. De qualquer forma, não custa tentar.

Para disputar o Super Bowl no mesmo local onde venceu seu último, em 1996, o Dallas Cowboys teria que ter vencido o Packers em Green Bay e o Seahawks em Seattle novamente. Percorrendo esse duro caminho fora de casa, não seria difícil imaginar uma torcida muito empolgada e provavelmente maioria no estádio, visto que o estado do Arizona é bem mais perto do Texas em relação à New England.

Já ao jogo, o ataque de Dallas manteria sua tática usual: correr com a bola, cansar a defesa adversária e, principalmente, deixar Tom Brady fora de campo. Campanhas de sete ou oito minutos poderiam ser feitas, assim como o time tentou (e teve sucesso) em jogos contra Green Bay, Seattle e Indianapolis, três dos quatro times que chegaram até as finais de conferência.

Tambem no ataque, teríamos diversos confrontos interessantes. Dez Bryant, líder em recepção para touchdowns na temporada de 2014, seria marcado por Darrelle Revis, um dos melhores cornerbacks da liga. Assim como na partida contra o Seahawks na temporada regular, onde Dez foi marcado por Richard Sherman, Tony Romo tentaria se aproveitar da marcação individual ao 88, que poderia se sair bem no matchup. Doug Free, que operou após o fim da temporada, não teria condições de jogo e Jermey Parnell, seu reserva,  teria dificuldades em parar Rob Ninkovich, podendo dificultar a vida de DeMarco Murray.

Sobre o Murray, o jogador ofensivo do ano não teria um jogo espetacular já que New England viria preparado contra o jogo terrestre, colocando oito jogadores no box. Precavido com a corrida, a defesa do Patriots poderia sofrer com o jogo aéreo: Terrance Williams e Cole Beasley poderiam ter bons jogos. Já Jason Witten seria o ponto seguro de sempre. Terceira descida? Bola no 82.

Na defesa, problemas para parar Gronkowski. Sem um jogador bom o suficiente para pará-lo, Rod Marinelli provavelmente colocaria Barry Church o marcando, além de outro safety de olho. De resto, Orlando Scrandick seria encarregado por marcar Julian Edelman e Brandon Carr marcaria seu xará Brandon LaFell.

Outro problema da defesa seria parar LeGarrette Blount. Não, Blount estã longe de ser um jogador espetacular, mas a defesa bastante recuada para conter o jogo aéreo de Tom Brady poderia dar margem para boas corridas, tal como Eddie Lacy conseguiu nos playoffs.

Conseguir uma interceptação em Tom Brady não é uma tarefa simples. Com isso, a defesa do Dallas Cowboys dificilmente conseguiria o feito do Seattle Seahawks, que interceptou Brady duas vezes. Mas como estamos falando de algo hipotético, os mais prováveis para conseguir os turnovers seriam Bruce Carter, líder em interceptações do time na temporada, e J.J. Wilcox, que vinha tendo um grande desempenho forçando turnovers ao fim da temporada regular.

E por fim, o lance decisivo. Primeira para o touchdown, linha de 1 jarda, 26 segundos no relógio e 28 a 24 no placar para o New England Patriots. O Seattle Seahawks foi para o passe e Russell Wilson foi interceptado, selando a vitória do time de Boston. Mas e o Dallas Cowboys, o que faria?

Dizer que o Dallas Cowboys correria com toda a certeza para a endzone é mostrar que não acompanhou o time durante a temporada. Durante a primeira metade da temporada, Tony Romo abusou dos passes estando a poucas jardas do touchdown. Talvez o motivo fosse a manutenção de seu recorde de jogos consecutivos com pelo menos um passe para touchdown, mas Brandon Weeden fez o mesmo quando substituiu Romo na partida contra o Washington Redskins.

Mesmo já tendo optado por escolher uma jogada de passe, a comissão técnica dificilmente não escolheria uma corrida com DeMarco Murray. Como foi após Romo perder a sequência (e o recorde), o time passou a correr mais com Murray nessas situações, o que deu ao running back sete touchdowns nos seis últimos jogos, como os feitos contra o Detroit Lions e Green Bay Packers na pós-temporada, ambos na mesma situação que o Seahawks enfrentou. Também, caso a situação fosse exatamente a mesma de Seattle, Murray teria acabado de conseguir uma grande corrida, o que seria mais um motivo para Jason Garrett e Scott Linehan chamarem outra jogada de corrida.

“Então você quer dizer que o Dallas Cowboys teria vencido o Super Bowl?” Na verdade não. Em uma liga tão equilibrada quanto a NFL, é simplesmente impossível de prever resultado para qualquer partida, especialmente o Super Bowl. E enfrentando o ótimo time do New England Patriots, apostar em uma certeza de vitória no Cowboys seria excesso de “clubismo” por nossa parte.

O que se pode dizer é que o Dallas Cowboys teria time para fazer um jogo equilibrado, assim como fez com todos os adversários (difíceis e fáceis) durante toda a temporada. Já ao Super Bowl, podemos deixar de citá-lo só em hipóteses em breve.

Parafraseando o Rafa Yamamoto, escritor do site: “quando alguém falar que os Cowboys não irão longe, faça-me o favor e devolva a afirmação com a pergunta: Por que não nós?

Gabriel Plat

Editor-Chefe em Blue Star Brasil
Curte NFL por escolha e o Dallas Cowboys por amor. Aprecia a boa música e compartilha outro sofrimento: o Botafogo. Um dos participantes do podcast.