Vitória contra o rival de divisão com direito a recorde de audiência. Dia de Ação de Graças com comemoração mais do que ótima. É nesse clima que o Dallas Cowboys garantiu sua décima vitória consecutiva e mais uma semana com o melhor recorde de toda a NFL. E também foi nesse clima que descobrimos uma antiga ligação de uma lenda não só do Dallas Cowboys, como também de toda a NFL, com o nosso amado Brasil.

Gil Brandt foi o primeiro vice-presidente de player personnel da história do Dallas Cowboys. Começando a trabalhar na função em 1960, Brandt era o responsável por chefiar a equipe de prospecção de jogadores, isto é, avaliar os jogadores do college que iriam para a NFL por meio do Draft.

De 1960 para 1989, Brandt revolucionou a forma de avaliar jogadores do college de toda a NFL, o que resultou em um dos períodos mais vitoriosos de toda a história do Dallas Cowboys. Seu sistema de avaliação de jogadores foi amplamente divulgado ao redor da liga diante do seu sucesso, que também passou a avaliar jogadores fora dos Estados Unidos e Canadá. Dentre os jogadores que ele conseguiu trazer para o Cowboys, estão Bob Lilly, Roger Staubach, Tony Dorsett, Randy White, Mel Renfro e Rayfield Wright, todos no Hall da Fama da NFL.

O trabalho de prospecção do Brandt não parava por aí. Ele o expandiu para outros esportes, que acabou trazendo para o Dallas Cowboys jogadores como Bob Hayes, Hall da Fama, e para jogadores que não foram selecionados nos Drafts, que rendeu outra série de bons jogadores ao time, como Drew Pearson, Cliff Harris e Everson Walls.

Por fim, Brandt é o responsável por idealizar e criar o NFL Scouting Combine, o maior evento de avaliação de jogadores do futebol americano universitário. Nada mal, não é?

Em uma conversa rápida, Brandt nos contou que a primeira namorada de seu filho era brasileira, mais especificamente de São Paulo. E isso parece ter lhe dado um carinho para nosso país:

Dentre as perguntas, Brandt falou sobre a situação entre Dak Prescott e Tony Romo, a boa sequência do Dallas Cowboys e até sobre a possibilidade do Brasil sediar o Pro Bowl. Confira o papo abaixo:


Blue Star Brasil
: Qual time que você montou que mais se assemelha com o Dallas Cowboys de 2016?

Gil Brandt: Dallas Cowboys de 1977. (Nota do BSB: Nesse ano, o Cowboys escolheu o RB Tony Dorsett na segunda escolha geral do Draft, que acabou se tornando o Calouro Ofensivo do Ano e destaque do time. Liderado por Roger Staubach, o time venceu oito jogos seguidos na temporada regular, incluindo contra o Steelers em Pittsburg, para garantir o primeiro lugar da NFC Leste. Com a melhor campanha da NFC, o Dallas Cowboys jogou os playoffs todo em casa e venceu o Super Bowl XII sobre o Denver Broncos.


 

BSB: Falando internacionalmente, como você vê que a NFL se desenvolveu desde a década de 1960?

Brandt: A NFL avançou em conseguir mais jogos internacionais, uma maior exposição das emissoras de outros países e também a contratação de narradores e comentaristas de outros idiomas.


 

BSB: Como a situação entre Tony Romo e Dak Prescott pode ser comparada com a situação entre Roger Staubach e Craig Morton em 1971 (leia mais sobre isso clicando aqui)?

Brandt: Um pouco (parecida), mas não tanto quanto aparenta ser. Mas assim como esse ano, o alvoroço causado foi bem parecido com a decisão em 1971.


 

BSB: Você vê a NFL tentando trazer o Pro Bowl para o Brasil em um futuro próximo?

Brandt: Sempre há a chance (de isso acontecer). O comissário (Roger Goodell) quer que o Pro Bowl seja um jogo internacional. Mas antes disso acontecer, é necessário que haja um jogo de temporada regular aí.


 

Ao fim, pedimos para que Brandt deixasse um recado para a torcida do Dallas Cowboys aqui no Brasil, e ele não teve medo em arriscar o português!

Gabriel Plat

Editor-Chefe em Blue Star Brasil
Curte NFL por escolha e o Dallas Cowboys por amor. Aprecia a boa música e compartilha outro sofrimento: o Botafogo. Um dos participantes do podcast.