A partir do momento em que não há armários suficientes para comportar os 90 jogadores que o Dallas Cowboys recebe esse ano nas instalações do CT Valley Ranch, os jogadores costumam compartilhar um espaço. As vezes os pares são coincidência.

É seguro dizer que colocar os irmãos Rod Smith e Jaylon Smith juntos não é um desses casos.

Rod é um tailback que mudou sua posição para fullback, que jogou 11 partidas ano passado como um calouro. Jaylon é o irmão mais novo e muito mais bem cotado, selecionado na segunda rodada e que deve ter uma temporada como redshirt por conta de uma séria lesão no joelho.

Rod usa a camisa 45, um número mágico para sua antiga universidade, Ohio State. Jaylon veste a 54, um número mágico na história do Cowboys graças ao Hall da Fama Randy White.

“É uma coisa especial”, disse Rod. “Nós sempre brincávamos com isso, falávamos sobre crecer. Foi sempre essa diferença de idade para não nos colocar no mesmo time. Mas para vê-lo no vestiário, dividir um armário com ele, é uma felicidade Eu não gostaria que acontecesse de outra maneira.”

Eles na verdade se alinharam um contra o outro quando Rod era um senior na Paul Harding High Schoool e Jaylon era um freshman em Bishop Luers, a mesma escola que produziu a escolha de primeira rodada do Cowboys em 2007, Anthony Spencer.

“Obviamente meu time venceu”, disse Jaylon.

Rod nasceu no dia 10 de janeiro de 1992, enquanto Jaylon nasceu no dia 14 de junho de 1995. Rod correu para 6.625 jardas e 66 touchdowns na escola antes de ir para Ohio State. Já Jaylon era um dos jogadores mais bem cotados depois da high school e ainda venceu o Prêmio Butkus, dado ao melhor linebacker do país, antes de ir para Notre Dame.

Os Smiths nunca pensaram em jogar juntos na NFL. As chances eram bem pequenas. Em 2007, os irmãos Ayodele, Akin e Remi, jogaram juntos pelo Cowboys.

A inteligência do Cowboys sobre a condição do joelho de Jaylon veio pelo médico do time Dan Cooper, que fez a cirurgia e esteve envolvido na recuperação. O Cowboys não pegou mais informação pelo Rod.

“Alguns técnicos durante a temporada mencionaram isso, ‘Eu não sabia que ele era seu irmão'”, disse Rod. “Mas sim, eu estava tão chocado quanto ele no dia do Draft.”

Uma vez que os calouros saírem do hotel local, o plano é que os irmãos vivam no mesmo complexo, isso se não no mesmo apartamento. Rod foi companheiro de quarto de Ezekiel Elliott em Ohio State, então os laços vão bem mais longe que só seu irmão.

Os benefícios de ter um membro da família perto são óbvios.

“Me ajuda porque ele já passou por isso”, disse Jaylon. “Ele conhece a organização, então ele é capaz de me mostrar as coisas”.

Rod pode também ser um apoio para Jaylon enquanto ele recupera da lesão nos ligamentos do joelho que sofreu em sua última partida por Notre Dame. Enquanto o joelho está voltando a ficar firme, o dano no nervo que Jaylon sofreu precisa de mais tempo para regenerar.

“Essa foi sua primeira grande adversidade”, disse Rod. “Tudo que posso fazer é fazer o papel de irmão mais velho, deixar sua mente focada no objetivo de longo prazo. É uma questão de tempo até ele voltar a ficar 100%. Ele já está se recuperando acima do programado, então isso é uma coisa boa. Ele é um cara maduro, então ele está lidando bem com isso.”

E se houver dias em que ele não lide bem com isso, seu irmão estará lá para ajudá-lo.

Quando as câmeras de televisão pegaram Jaylon no telefone com o Cowboys antes de anunciar a escolha, Rod estava lá com ele. É uma cena que eles esperam que seja repetida várias vezes.

“É um sonho realizado”, disse Rod. “Nem em um milhão de anos eu pensei que meu irmão estaria comigo no mesmo time, no Time da América. Foi realmente um grande dia para meu irmão caçula, minha família e a cidade de Fort Wayne.”

Gabriel Plat

Editor-Chefe em Blue Star Brasil
Curte NFL por escolha e o Dallas Cowboys por amor. Aprecia a boa música e compartilha outro sofrimento: o Botafogo. Um dos participantes do podcast.