A surpreendente temporada de 2016 do Dallas Cowboys acabou ontem após uma traumática derrota para o Green Bay Packers pelo placar de 34 a 31. Com muita dor no coração e profundo sentimento de tristeza, o Blue Star Brasil avalia a performance do time na partida em ótimo, bom regular, ruim e péssimo, separando-as por setores e posições. As notas são compostas por uma média formada pela opinião de 7 dos integrantes do BSB.

Aproveitamos para agradecer a todos que leram regularmente esta coluna após as 13 vitórias do time no ano e também após as 4 derrotas. Voltamos em agosto.

 

ATAQUE

Quarterback – Não fosse a interceptação, Dak Prescott teria um jogo perfeito. Mesmo com ela, o calouro impressionou a todos pela excelente performance. Tranquilo, fazendo excelentes leituras e jogando como um veterano de 10 anos na NFL, liderou o time a uma espetacular reação, tirando 18 pontos de desvantagem no placar. Quando o Green Bay Packers mandou blitzes para tentar surpreender, Dak foi brilhante, completando 7 de 8 passes e anotando 2 touchdowns — um rating perfeito. Foi o primeiro novato da história a anotar 3 touchdowns e ter 300 jardas em uma partida de pós-temporada. Seu mergulho para a end zone para a conversão de 2 pontos foi uma jogada de muita habilidade. Correu bem com a bola quando preciso, passou das 300 jardas e completou 24 de 38 passes. Dak não merecia ter saído de campo com a derrota. Ao menos, nosso futuro está garantido.  ÓTIMO (4 ótimos e 3 bons) 

Running Backs – Ezekiel Elliott fez aquilo que fez durante o ano todo: destruiu a defesa adversária. Como de costume, ganhou muitas jardas após o contato e sempre correspondeu quando foi acionado. O lance em que Zeke deixou o excelente linebacker Clay Matthews na saudade mostra o quanto a escolha feita nele do draft foi acertada. Por culpa de Scott Linehan, não foi muito usado quando o time se aproximava da end zone, um erro grave do nosso coordenador ofensivo. No último quarto, Zeke foi um dos principais responsáveis pela reação do time. 125 jardas em seu primeiro jogo de pós-temporada e um comportamento de veterano. Outro que não merecia ter saído de campo com a derrota. ÓTIMO (7 ótimos)

Wide Receivers – Antes da partida, sabíamos que Dez Bryant entraria em campo com sangue nos olhos para tentar vingar a polêmica derrota nos playoffs de 2014 para os Packers. E foi o que ele fez. Dez Bryant simplesmente engoliu o cornerback Ladarius Gunter, ganhando praticamente todas as disputas contra o adversário. 2 touchdowns anotados e 139 jardas em 9 recepções. Não dá para acreditar que Dez saiu de campo com a derrota. Terrance Williams teve um drop que doeu na alma, mas se comportou bem durante o restante da partida. Cole Beasley não foi tão acionado quanto foi durante a temporada regular, mas também não comprometeu. Brice Butler foi a grande decepção. Uma falta sua ridícula matou um ataque no primeiro tempo que daria pelo menos 3 pontos ao time e o jogador ainda teve um drop na end zone.  ÓTIMO (6 ótimos e 1 bom)

Linha Ofensiva – O melhor setor do time na temporada novamente foi bem. Apesar de ter cedido dois sacks, a linha ofensiva de Dallas fez um bom jogo tanto protegendo Dak Prescott quanto abrindo buracos para Ezekiel Elliott. Foram fundamentais em não deixar a defesa de Green Bay pressionar quando o time esteve muito atrás no placar. A decepção foi Doug Free, o ponto fraco da linha ofensiva. Uma falta sua prejudicou muito o ataque em uma das campanhas do time. BOM (2 ótimos e 4 bons)

Tight Ends – 6 recepções, 60 jardas e seu primeiro touchdown em pós-temporada desde sua entrada no time há mais de 10 anos. Jason Witten era o jogador que mais merecia a vitória. O camisa 82 fez um grande jogo, aparecendo nas horas mais importantes no ataque, como sempre fez com a camisa dos Cowboys. Foi um dos jogadores que mais se emocionou após a derrota e deixou todos os torcedores com lágrimas nos olhos. Witten merece demais terminar a carreira com um anel de Super Bowl. Quem sabe em 2018.  ÓTIMO (5 ótimos e 2 bons)

Scott Linehan, coordenador ofensivo – Scott Linehan foi a grande decepção do jogo, principalmente no primeiro tempo. Foi muitas vezes para o passe e esqueceu de correr com a bola com a melhor linha ofensiva da NFL e com o líder em jardas terrestres de 2016. A chamada numa segunda para 1 jarda que resultou na interceptação foi simplesmente ridícula. Se não fosse Jeff Heath interceptando Aaron Rodgers na campanha seguinte, o jogo teria praticamente acabado. No segundo tempo, Linehan fez ajustes e o time melhorou. Mesmo assim, não foi o melhor jogo do coordenador ofensivo no comando do Dallas Cowboys. REGULAR (1 ótimo e 6 regulares)

DEFESA

Linha Defensiva – O calcanhar de Aquiles dos Cowboys durante a temporada regular foi a linha defensiva e sua contínua falta de pressão ao quarterback adversário. Nos últimos jogos da temporada, os jogadores tiveram um aumento de produção e o setor melhorou muito. Esperava-se que a pressão em cima de Aaron Rodgers fosse boa, mas não foi o que aconteceu, principalmente no primeiro tempo. Rodgers teve uma eternidade para lançar a bola e o resultado foram 3 touchdowns nas 3 primeiras campanhas. Rod Marinelli ajustou a defesa no segundo tempo, mas o sucesso em parar Rodgers veio muito mais pelas blitzes vinda da secundária do que pelas mãos dos defensive ends. Apesar disso, algumas jogadas foram boas por parte da defesa, como um tackle de Demarcus Lawrence para perda de jardas que dificultou o field goal de Mason Crosby (um maldito, diga-se de passagem). Precisamos reforçar nossa defesa para a temporada 2017. A clássica frase “Ataques ganham jogos, defesas ganham títulos” pode parecer um clichê, mas se mostrou verdadeira após o jogo de ontem. REGULAR (1 ótimo e 6 regulares)

Linebackers – Um bom trabalho dos linebackers mais uma vez. Liderados por Sean Lee, melhor jogador defensivo do time no ano, os linebackers foram fundamentais em praticamente anular o jogo terrestre dos Packers. Com apenas alguns tackles perdidos e poucas jogadas explosivas (houve uma corrida de mais de 20 jardas do fullback Aaron Ripkowski e uma de 15 jardas de Ty Montegomery), o trabalho do grupo foi bom durante a partida, assim como foi durante todo o ano. O setor deve receber o importante retorno de Jaylon Smith para a próxima temporada. Se o jogador fizer aquilo que jogava em sua época universitária, a dupla formada com Lee será uma das melhores da NFL. BOM (1 ótimo e 6 bons)

Secundária – A secundária foi uma das surpresas do time no ano de 2016. Com o retorno de Morris Claiborne e sem a presença do wide receiver Jordy Nelson ou de um running back ameaçador no lado dos Packers, esperava-se que a secundária tivesse um bom trabalho contra Aaron Rodgers, assim como foi no duelo entre as duas equipes na semana 6. Mas infelizmente isso não aconteceu. A performance no primeiro tempo foi um desastre, com Rodgers completando passes fáceis para seus recebedores e anotando 3 touchdowns nas três primeiras campanhas. O sempre consistente Byron Jones teve um jogo para se esquecer. Não conseguiu parar o tight end Jared Cook e ainda foi o responsável pela jogada que colocou Green Bay em posição para matar o jogo. Muitas faltas bestas prejudicaram demais o time, dando sobrevida ao ataque dos Packers e anulando uma interceptação. A secundária melhorou no segundo tempo, após Marinelli fazer ajustes e mandar os jogadores em blitzes em cima de Aaron Rodgers. Foram 3 sacks conquistados pelos DB’s nestas situações. Jeff Heath também merece créditos por ter feito uma interceptação que deu aos Cowboys a chance de voltar no jogo. Uma pontuação dos Packers naquele momento praticamente mataria a partida. Tudo bem, é difícil segurar um Aaron Rodgers inspirado, mas a secundária poderia ter ido melhor, principalmente no primeiro tempo. RUIM (1 ótimo, 2 regulares e 4 ruins)

Rod Marinelli, coordenador defensivo – Rod Marinelli não conseguiu nada de produtivo no primeiro tempo. Viu sua defesa tomar 21 pontos, ainda que algumas campanhas dos Packers tenham sido prolongadas pelas faltas bestas do time. No segundo tempo, Marinelli fez ajustes que ajudaram a segurar o ataque dos Packers a apenas 13 pontos. Se o trabalho tivesse sido feito desde o início, Dallas teria saído de campo com a vitória. Marinelli precisa convencer o técnico Jason Garrett e o dono do time Jerry Jones a reforçar essa defesa. Os Cowboys precisam de mais jogadores na defesa capazes de mudar partidas. REGULAR (1 ótimo e 6 bons)

Jason Garrett, técnico – Garrett não montou um bom plano de jogo para enfrentar os Packers. O ataque teve chamadas ruins e a defesa foi engolida por Aaron Rodgers no primeiro tempo. Ao menos, conseguiu melhorar o time com seus coordenadores e os Cowboys fizeram um bom segundo tempo. Foi inteligente ao congelar o field goal de Mason Crosby no final. No final das contas, foi extremamente conservador, como de costume. O time poderia ter arriscado mais e ter buscado jogadas diferentes.  REGULAR (7 regulares)

Special Teams – Dan Bailey acertou todos seus extra points e seus 3 field goals, sendo um deles de 51 jardas num momento decisivo. Poderia ser a estrela da partida se o kicker dos Packers Mason Crosby (maldito) não estivesse tão inspirado. Chris Jones teve excelentes punts durante a partida. Lucky Whitehead nada acrescentou ao ataque. Dallas precisa de um retornador de mais qualidade capaz de fazer jogadas explosivas. ÓTIMO (7 ótimos)

Rafael Freitas

Rafael Freitas

Fã do Dallas Cowboys desde 1996, sonha em ver o time de volta ao Super Bowl. Mais novo integrante do Blue Star Brasil
Rafael Freitas