O caso de Tony Romo para MVP

O caso de Tony Romo para MVP

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foto: dallascowboys.com

No Two Minute Drill da semana passada, levantei a possibilidade de Romo ser considerado o MVP da temporada, e recebi algumas criticas quanto a isso. Então, vou explicar o porque Romo tem que ao menos estar na conversa para receber o prêmio de jogador mais valioso da temporada.

Primeiro, gostaria de explicar o significado do MVP. Como o próprio nome já diz, Most Valuable Player, o prêmio deve ser dado ao jogador mais valioso da temporada. Ser mais valioso não significa simplesmente ter ótimas estatísticas. Significa transformar as estatísticas em vitórias, e assim, se tornar valioso ao seu time. O MVP deve ser o jogador o qual sem ele o rendimento de sua equipe não seria o mesmo. Obviamente, o sucesso muitas vezes está ligado a bons números. Porém, esse não é fator único e determinante para decidir quem deve levar o prêmio.

Um rápido exemplo: em 2011, Drew Brees foi estatisticamente o melhor jogador da liga. Ele quebrou um recorde que durava anos, de jardas lançadas em uma temporada, e ainda teve 46 Touchdowns. Porém, o MVP foi dado a Aaron Rodgers, que além de ter uma ótima temporada (4.643 jardas e 45 TDs), levou seu time a 15 vitórias no ano e garantiu a melhor campanha da NFL. Brees foi eleito o jogador ofensivo daquele ano.

Pelo significado de MVP, Romo deveria ser considerado a receber o prêmio. A queda de rendimento de Dallas sem o camisa 9 é notável. Em jogos que Romo começou e não foi forçado a sair por conta de lesões, o Cowboys tem um record de 11 vitórias e 2 derrotas. Nas duas partidas em que ele não disputou, ou teve de sair por conta de lesão, Dallas perdeu ambas. Nas outras duas derrotas de Dallas, Romo teve seus piores desempenhos do ano. Porém, nessas derrotas, ele não teve a preparação adequada. Na semana 1, Romo ainda se recuperava da cirurgia, tendo treinado de forma limitada todo o Training Camp e jogando pouco na pré-temporada. No Dia de Ação de Graças, ele teve apenas 4 dias de preparação, atrapalhando sua rotina de recuperação entre uma partida e outra. Em Dallas, tudo depende de Romo. Quando ele joga bem, Dallas tem chance de vencer a partida. Quando joga mal ou não participa da partida, o Cowboys perde.

Além da importância para a equipe, Romo está entre os melhores quarterbacks da liga em quase todas as estatísticas. Ele lidera a liga em rating, percentual de passes completos e jardas por tentativa de passe. As últimas duas estatísticas, são quase que opostas, pois normalmente o QB que completa o maior percentual de passes é aquele que faz passes curtos, e consequentemente não tem um número tão alto de jardas por lançamento. Mesmo assim, ele tem os melhores números da NFL nos dois quesitos. Na história da liga, apenas 2 QBs tiveram pelo menos 70% de seus passes completados e ainda uma média superior a 8.5 jardas por tentativa de passe.  Joe Montana conseguiu o feito em 1989 e Steve Young em 1994. Os dois ganharam o prêmio de MVP daquela temporada. No momento, Romo completa 70.3% de seus passes e tem uma média de 8.5 jardas por lançamento.

Além desses números, o quarterback do Cowboys tem 4 vezes mais TDs do que interceptações, só ficando atrás de Rodgers no quesito. Romo, mesmo com um jogo completo a menos, já lançou 32 touchdowns, sendo o 5º nessa categoria. Além de importante para seu time, Romo está entre os melhores da NFL em quase todas estatísticas importantes para um quarterback. 

Muitos analistas afirmam que o MVP deve ser dado ao jogador que atua bem nos momentos mais importantes das partidas e temporadas. O momento mais importante de uma temporada na NFL é seu mês final, e em dezembro Romo é de longe o melhor quarterback da liga. Além de um record de 3 vitórias e nenhuma derrota para o Cowboys, ele ainda conseguiu lançar 10 touchdowns e nenhuma interceptação, com um percentual de passes completos sensacional, de 79.2%. Seu rating no mês é 143.5, muito maior que o do segundo colocado, Ben Roethlisberger, que tem 113.6 de rating em dezembro.

Um argumento muito utilizado por aqueles que acham que Romo não merece o MVP, é que ele tem uma ótima ajuda de seu running back e da linha ofensiva, que facilitam seu jogo. E isso é verdade. Porém, nas duas últimas partidas  jogo corrido foi muito pouco eficiente, com Murray tendo apenas 139 jardas nos dois jogos somados e uma média de 2,6 jardas por tentativa de corrida. Mesmo assim, Romo teve dois de seus melhores jogos da carreira, e liderou Dallas a duas vitórias contra bons times. E os outros quarterbacks na disputa do MVP, também contam com muita ajuda. Aaron Rodgers tem dois ótimos recebedores, Jordy Nelson e Randall Cobb, uma linha ofensiva que está entre as melhores da liga bloqueando em jogadas de passe e o 11º melhor jogo terrestre da liga. Tom Brady conta com um dos melhores tight ends da liga, tem um jogo terrestre decente, 18° da NFL, e uma defesa melhor que a de Dallas. Manning também tem ótimos alvos, como Demaryius Thomas, Emanuel Sanders e Julius Thomas além de uma ótima defesa que é 3ª melhor da liga em jardas cedidas.

Todos os candidatos tem ótimos jogadores ao seu redor. O futebol americano é um esporte coletivo, e um quarterback sozinho não consegue carregar seu time nas costas, sem nenhuma ajuda. Tony Romo vem de duas cirurgias nas costas, e apesar de ter tido outra lesão em uma partida contra o Washington Redskins, liderou sua equipe ao titulo de divisão e primeira vaga na pós temporada desde 2009. Romo tem sido o quarterback mais eficiente da liga e tem também ótimos números.

Provavelmente ele não ganhará o prêmio, pela fama que injustamente recebeu de ser um jogador ‘amarelão’ e que comete erros nos momentos mais importantes de partidas, mesmo Romo tendo 27 drives da vitória no 4º período desde que entrou na liga, só ficando atrás de Peyton Manning, que tem 28 desde 2006. O prêmio deve ir para Aaron Rodgers, merecidamente, e Romo deve ficar mais uma vez esquecido.

Romo, porém, deveria ao menos estar na conversa para ganhar o MVP.

Leonardo Sangiorge

Acompanha a NFL desde 2009. Desde então, torce para o Cowboys e sofre com o time a cada jogo. Escritor das colunas Two Minute Drill e Matchups, além de participante do PodCast. Valeu?