Na última quinta-feira, mais uma decisão foi tomada pela justiça americana no que diz respeito a suspensão de Ezekiel Elliott. Seu apelo foi mais uma vez negado e sua suspensão de 6 jogos começará a fazer efeito a partir de domingo, na partida contra o Atlanta Falcons. A intenção deste texto não é discutir a suspensão aplicada pela NFL e se ela deveria realmente ter ocorrido ou não, e sim discutir a falta que Ezekiel Elliott fará para o ataque de Dallas.

Após um começo de temporada ruim para todo o jogo terrestre do Cowboys, que foi um dos responsáveis pelo início de campanha com 2 vitórias e 3 derrotas, Ezekiel Elliott voltou a jogar muito bem e correu para 390 jardas e 5 touchdowns nos últimos 3 jogos do time, em que todos terminaram com vitória. Com a suspensão sendo imediatamente aplicada pela liga, o Cowboys terá que depender de Alfred Morris, Rod Smith e Darren McFadden para correr com a bola nas próximas 6 semanas da temporada regular.

A perda de Elliott é gigantesca para Dallas. Ele é um dos jogadores mais valiosos de todo o elenco e muda a maneira como os técnicos conduzem a partida. Nesta temporada, por exemplo, Jason Garrett optou por arriscar 6 vezes uma 4ª descida para 1 jarda ou menos, tendo sido algumas delas, como contra New York e Washington, ainda no campo de defesa, antes da linha de 50 jardas. Com Ezekiel Elliott correndo, Dallas converteu todas as 6 vezes, com uma média de ganho de 3 jardas nessa situação, mais que suficiente para o 1st down. Agora sem Elliott, é difícil acreditar que Garrett irá arriscar em situações como essa, e provavelmente escolherá ir para o punt, sendo mais conservador por não confiar que os outros running backs do elenco consigam ter o mesmo sucesso que Elliott, que é praticamente perfeito nessas circunstâncias. Já em terceiras descidas para menos de 1 jarda neste ano, o Cowboys converteu 8 de 9 tentativas em que elegeu correr com a bola, com um percentual de 88.89% e uma média de avanço de 6.89 jardas por tentativa. Essa média deve diminuir muito sem o camsia 21 em campo.

Para efeito de comparação, em 2015, ano que o Cowboys perdeu DeMarco Murray e ainda não tinha Ezekiel Elliott, o time até teve sucesso correndo com a bola, com Darren McFadden superando as 1000 jardas na temporada. Porém, em situações de terceiras descidas para menos de 1 jardas, Dallas converteu apenas 7 de 14 tentativas, com um percentual de 50% e média de avanço de 4 jardas, números muito inferiores se comparado com os dessa temporada. Isso forçou com que o Cowboys, mesmo sem Romo pela maior parte do ano, lançasse a bola em 5 terceiras para 1 jarda no ano, convertendo apenas 1.

Esses números mostram a importância de Elliott em manter os drives vivos para Dallas. Esse time do Cowboys foi montado totalmente em volta da sua linha ofensiva e do jogo terrestre. A filosofia é correr muito bem com a bola, dominar o tempo de posse, deixar a defesa fora de campo, e administrar o jogo dessa forma. Caso o time não consiga converter os 3rd downs com a mesma eficiência, essa filosofia de jogo acaba se perdendo, e Dallas tem menos chances de vencer.

Analisando um ano completo com Elliott como o running back,  no ano passado, Dallas foi o terceiro melhor time em tempo de posse de bola na NFL. Já em 2015, o time teve uma queda, e foi o décimo nesse quesito.

Outra grande importância de Zeke para o ataque do Cowboys é o que Jason Garrett gosta de chamar de dirty runs. Essas são aquelas corridas de duas ou três jardas, muitas das quais Zeke foi tocado antes da linha de scrimmage e poderia ter perdido jardas, mas este avanço, por mais que pequeno, deixa o Cowboys sempre à frente das correntes e facilita muito o andamento da partida. Uma 2ª descida para 12 jardas é totalmente diferente de uma 2ª para 7 ou 8, por exemplo. Se o time perde 2 jardas no 1st down, se torna uma situação óbvia de passe e coloca o quarterback em uma difícil situação. Se o ganho é de 2 ou 3 jardas na primeira descida, o playbook está totalmente aberto.

Ainda, com Elliott no backfield, o trabalho de Prescott é muito facilitado. Além de estar sempre em situações administráveis de down and distance, Dak é muito forte no play action, bootlegs e options, e sem uma grande ameaça do running back, Prescott não terá a mesma eficiência nessas situações. Sem uma grande ameaça do jogo terrestre, as defesas não se sentirão mais pressionadas a colocar 8 ou 9 jogadores dentro do box, e poderão sempre ter mais jogadores na marcação contra o passe, dificultando o jogo aéreo do Cowboys.

Elliott é ainda um dos running backs mais explosivos de toda NFL, e suas grandes corridas e recepções, como contra Pitthsburgh e Cincinnatti no ano passado, ou San Fracisco neste ano, podem mudar o rumo de algumas partidas. Com Dallas tendo dificuldade de conseguir grandes avanços com o jogo aéreo e seus recebedores, esse será mais um ponto que o time sentirá falta de seu superstar running back. 

Por mais que Dallas tenha se preparado para uma situação como essa, e tenha um dos melhores grupos de running backs da liga, será muito difícil manter o sucesso correndo com a bola. Elliott é um dos melhores jogadores da NFL, independente de posição, e qualquer jogador sente a falta de um atleta deste calibre. Nos próximos seis jogos, a linha ofensiva de Dallas terá que mostrar que realmente é uma das melhores, se não a melhor da liga, e Dak Prescott terá que dar mais um passo a frente e comandar este ataque, com ainda mais responsabilidades, e continuar jogando em alto nível como vem fazendo durante todo o ano.

Leonardo Sangiorge

Acompanha a NFL desde 2009. Desde então, torce para o Cowboys e sofre com o time a cada jogo. Escritor das colunas Two Minute Drill e Matchups, além de participante do PodCast. Valeu?