Em pouco mais de duas semanas, a última lesão sofrida por Tony Romo completará dois meses. Também em pouco mais de duas semanas, o Dallas Cowboys sairá de sua bye week para enfrentar o Philadelphia Eagles no jogo que é esperado que Tony Romo volte a jogar.

Entre esse momento que Romo esteve fora, uma estrela parece ter surgido. Até o momento, Dak Prescott acumula quatro vitórias em cinco jogos e vem sendo extremamente prolífico — falando de um jeito bem Paulo Antunes. Dak está acumulando grandes marcas em termos de passer rating, precisão de passes acertados e de turnovers sofridos. Seu sucesso não é à toa.

Mas eu não estou aqui para falar sobre quem deve ser titular. Dentro do Dallas Cowboys é mais do que claro que Tony Romo é o titular e você ainda pode ver um texto no qual eu explico porque essa discussão é inútil hoje.

A questão aqui é outra. O ótimo desempenho de Dak Prescott é a melhor coisa que poderia ter acontecido para Tony Romo nesta altura da temporada. Mas, ao mesmo tempo, foi a pior coisa que Tony Romo poderia pedir.

Explico.

Imagine que Kellen Moore não tivesse se machucado antes da pré-temporada e se tornasse o titular após a lesão de Tony Romo. Se você viu a temporada de 2015, especialmente as últimas partidas, você deve ter percebido que Moore não era um quarterback tão ruim (cof cof Cassel), mas também não era tão bom a ponto de colocar o Dallas Cowboys com o recorde de 4-1 que Dak Prescott colocou hoje. Com Moore, não seria improvável dizer que o Cowboys poderia amargar um 2-3 ou até um 1-4 nessa altura da temporada, vide seu alto número de turnovers nas partidas que disputou e sua incapacidade de mover o ataque.

Imaginou? Agora imagine como estaria a pressão para cima do Romo. Com o time perdendo jogos que ganharia com Tony Romo, a mídia e os torcedores pediriam a volta do número 9 de forma incessante, assim como foi em 2015 após sua primeira lesão na clavícula. Isso poderia ser extremamente prejudicial para a recuperação do Romo, já que poderiam apressar a volta dele e colocá-lo para jogar sem ter condições plenas de participar de uma partida. Vimos isso em 2015, quando ele voltou e se lesionou novamente, e em 2014, quando Romo jogou “baleado” após Brandon Weeden substituí-lo e ter jogado mal na partida seguinte. Felizmente, Romo se aproveitou da bye week daquele ano para voltar a ficar 100% e ter uma temporada de MVP.

Agora veja o cenário que Dak Prescott deixou para Tony Romo. Com um 4-1, a comissão técnica pode se dar ao luxo de ter uma paciência maior com a recuperação do Ramiro, já que o time está rendendo bem e seu substituto está jogando em um grande nível. Dessa forma, Tony Romo pode focar em se recuperar e, quando estiver totalmente em forma para jogar, ele retornará e estará pronto para jogar em alto nível. E mais: um recorde positivo ainda tira a pressão do Dallas Cowboys vencer praticamente todas suas partidas para se manter competitivo na temporada quando Tony Romo estiver de volta. Provavelmente, Romo voltará a jogar com um Dallas Cowboys com um recorde positivo e ainda firme na briga pela divisão.

Só tem um “problema” nisso tudo: Dak está jogando muito melhor do que se esperava para um reserva.

“Você precisava estar jogando tão bem, Dak?”

Por conta das ótimas partidas do Prescott, o Dallas Cowboys começa a ver uma pressão crescendo para cima de Tony Romo, vindo não só da mídia, que sempre aumenta tudo que acontece no Time da América (justamente por ser o mais popular e o que mais atrai atenção na liga), como também por parte dos próprios torcedores. Pela idade avançada do Ramiro e pelo potencial que Prescott vem mostrando, boa parte da torcida já acha que está na hora de virar a página e apostar em Dak para o futuro.

Polêmicas a parte, isso coloca pressão em Tony Romo pela própria torcida. O que será do camisa 9 quando ele lançar sua primeira interceptação em uma partida? Ou quando ele perder seu primeiro jogo? E se essa partida for em casa, como a torcida reagirá?

Por mais que Tony Romo já tenha recebido uma enxurrada de críticas ao longo de sua carreira (muitas injustas, cá entre nós), ele já estava chegando em uma etapa que seu desempenho já estava deixando de ser criticado, e uma nova pressão para cima dele pode ser algo ruim não só para ele e para o time, como também para o próprio Prescott. Afinal, o Dak não pediu por isso. Ele sabe e já expressou publicamente que ele é o reserva do Tony Romo, e essa pressão pode deixá-lo no mínimo desconfortável.

Querendo ou não, Jason Garrett terá de lidar com um dilema quando Tony Romo retornar. Entre a calma para o QB titular voltar e a pressão de ter um reserva jovem, com potencial e jogando bem, é preciso que haja uma ótima blindagem por parte da comissão técnica sobre o grupo. Uma temporada com tanto potencial não pode ser arruinada por conta disso.

Gabriel Plat

Editor-Chefe em Blue Star Brasil
Curte NFL por escolha e o Dallas Cowboys por amor. Aprecia a boa música e compartilha outro sofrimento: o Botafogo. Um dos participantes do podcast.