Na gelada noite de domingo em Nova York, o calouro Dak Prescott pela primeira vez viu um grande aliado começar a mudar de opinião sobre ele: a opinião pública. Se por um lado ele foi um dos jogadores mais elogiados e tietados do time durante a sequência de 11 vitórias seguidas, hoje já gera uma dúvida sobre sua capacidade no restante da temporada.

Mas por que isso?

Contextualizando, Prescott teve uma queda de rendimento nos últimos jogos. No jogo contra o Washington Redskins, Dak falhou em não passar das 200 jardas aéreas pela primeira vez na temporada. O fato não causou muita preocupação por dois motivos: o time jogou bem e, principalmente, venceu a partida.

É injusto dizer que Dak jogou mal aquela partida, é verdade. Ele não sofreu turnovers, lançou um passe para touchdown e ainda correu para outro. Mas o fato que era para ser isolado passou a ser constante.

Contra o Minnesota Vikings, Prescott teve talvez seu pior jogo da temporada até então. Muito pressionado, Dak falhou em mover o ataque de Dallas, que só converteu 1 de 9 terceiras descidas no jogo. Tirando uma campanha onde ele achou Dez Bryant em um passe longo que terminou em um TD de Ezekiel Elliott, Dak não teve um bom jogo.

O desempenho ruim pode ser relevado diante das circunstâncias da partida: era um jogo contra a, discutivelmente, melhor defesa da NFL e fora de casa. Anormal seria se Prescott conseguisse um jogo de 300 jardas e 3 TDs, para se dizer a verdade, mas isso ainda não apaga o fato de que o jogo do calouro foi ruim.

Como os dois jogos que Dak Prescott não jogou da maneira que vinha jogando acabou terminando em vitória do Dallas Cowboys, isso tudo acabou sendo relevado. Até a fatídica partida em Nova York.

Contra o Giants, Dak não foi mal. Dak foi péssimo. A nível de comparação, seu rating (45,4) conseguiu ser menor que o de Matt Cassel quando jogou contra o Giants fora de casa na temporada passada (62,3). Só aí já é possível ter uma noção de como Prescott jogou.

Ao contrário das outras partidas, essa acabou não tendo nenhum fator que pudesse tirar a responsabilidade de Prescott pela derrota. A defesa forçou três turnovers, cedeu apenas 10 pontos e deu inúmeras chances ao ataque de pontuar. A linha ofensiva não teve um desempenho perfeito, mas ela teve um jogo no mínimo sólido. Ezekiel Elliott passou das 100 jardas pela primeira vez nos últimos quatro jogos.

Bom, é verdade que o grupo de recebedores não jogou bem — cof, cof, Dez Bryant. Mas pare pra pensar um pouco. O que é mais provável de ter acontecido: o jogo ruim dos recebedores ter causado o jogo ruim do Dak Prescott ou o fato do Prescott ter jogado mal ter pesado e caído na conta dos recebedores? Dos oito passes lançados na direção de Dez Bryant, apenas dois foram ‘recebíveis’. Isso explica a noite ruim do Dez? Em parte, sim.

Para completar a cereja do bolo, o ataque do Dallas Cowboys converteu apenas uma de 15 tentativas de terceira descida. Apenas uma! No último quarto, onde Prescott foi bem em outros jogos, o ataque de Dallas teve três campanhas e somente em uma o time ganhou uma primeira descida e todas elas não chegaram nem a ameaçar ultrapassar o meio do campo.

Dak está sendo criticado de forma pesada, e com razão. Pela primeira vez na temporada, vemos o garoto jogando como um calouro — no sentido ruim da palavra. Mas por conta da inexperiência, é justo criticá-lo dessa forma? Não é melhor ter paciência com ele?

A resposta seria sim se não fosse por uma simples coisa: seu reserva. A partir do momento que Dak Prescott assumiu a vaga de titular de um veterano já estabelecido na liga por uma década, ele assumiu também todo o lado negativo disso, onde as críticas se incluem. E é por conta disso que Prescott não pode ser blindado das críticas que ele, merecidamente, recebeu essa semana.

O Dallas Cowboys não é um time ruim e em reconstrução que pode se dar ao luxo de ver seu quarterback errar em prol de um futuro com um time melhor. O Dallas Cowboys tem um dos melhores times da liga e tem capacidade o suficiente para chegar longe na pós-temporada, mas para isso a posição de quarterback precisa estar bem estabelecida.

Jerry Jones deve lembrar muito bem do que viu em 2007, quando o Cowboys teve o melhor time da conferência e foi eliminado dos playoffs sem nenhuma vitória, em um dos maiores vexames do Time da América nos últimos anos. E é por essa lembrança que ele deve estar receoso em como será o desempenho do time no mês de janeiro diante da queda de rendimento de Dak Prescott.

Se Prescott podia se ver em uma zona de conforto semanas atrás, hoje ele já vê um risco de perder a vaga de titular nesse fim de temporada. Não acredito que ele seja reserva no próximo jogo, contra o Tampa Bay Buccaneers em casa, mas também não colocaria minha mão no fogo de que a pressão faça com que a comissão técnica opte por tirá-lo dos jogos finais da temporada regular.

Por anos e anos a capacidade de Tony Romo liderar o time foi questionada, mesmo que por muitas vezes ele não tenha sido realmente o culpado pelo fracasso do time. Agora chegou a vez do Dak Prescott.

Seja bem-vindo à NFL, garoto. Bem-vindo à uma liga de memória curta para o sucesso, mas de memória bem longa para o fracasso. Ou você aprende a lidar com essa situação, ou você não vai ter sucesso em sua carreira.

Gabriel Plat

Editor-Chefe em Blue Star Brasil
Curte NFL por escolha e o Dallas Cowboys por amor. Aprecia a boa música e compartilha outro sofrimento: o Botafogo. Um dos participantes do podcast.