Não foi surpresa para ninguém quando a NFL anunciou a linha ofensiva do Dallas Cowboys como a melhor da temporada de 2016. A unidade, uma das piores da liga em 2012, surgiu como uma das potências a partir de 2013, quando Travis Frederick foi selecionado. As aquisições de Zack Martin em 2014 e La’el Collins em 2015 só confirmaram a unidade como a melhor da liga.

Mas isso não significa que ela não precisa ser vista com atenção para a próxima temporada.

Vejamos a situação atual da linha ofensiva. Tyron Smith e Travis Frederick estão de contrato renovado e não sairão do Dallas Cowboys tão cedo. Zack Martin está em seu último ano de contrato, mas deve renovar sem maiores problemas. Mas e o resto?

Começando primeiro com a posição de left guard. Nosso titular por quase toda a temporada, Ronald Leary, está de malas prontas. Valorizado, o jogador pode ganhar um salário muito mais alto do que o Dallas Cowboys pode oferecer, e isso é o suficiente para que o jogador busque outra equipe. Sem ele, o titular será o original da posição no começo da temporada: La’el Collins. Por ser novo, Collins ainda tem algumas oscilações que Leary, por ser mais experiente, não tem. Ainda assim, La’el é um jogador seguro e não deverá trazer problemas ao time. Pelo menos não se ele se manter saudável.

Sem Leary, os reservas para a posição de guard seriam Joe Looney e Jonathan Cooper, esse último uma ex-escolha de primeira rodada que nunca fez valer as expectativas. Nenhum dos dois jogadores seria capaz de manter o alto nível do time se tiver que entrar em campo como guard. Looney chegou a jogar alguns snaps ao longo da temporada, mas alinhado basicamente como um tight end, para ajudar em jogadas de corrida.

Como o time sempre teve boa expectativas em Cooper, desde antes do Draft de 2013, é possível que o time o mantenha e trabalhe em cima do jogador para que ele seja um bom reserva, como Jermey Parnell foi em 2014 substituindo Doug Free.

Falando em Doug Free, esse é o segundo problema da linha ofensiva no momento. Com 33 anos de idade, Free está em fim de carreira e está no último ano de seu contrato. Com seu salário de mais de 7 milhões de dólares, eu não duvidaria nem um possível corte no jogador hoje. Mas vamos descartar essa hipótese no momento.

Free se manteve consistente em 2016, sendo um dos três jogadores que participaram de todos os snaps ofensivos do time na temporada. Mas até quando isso vai durar? Já não está na hora de buscar uma peça para seu lugar?

Uma das respostas pode ser Chaz Green, escolha de terceira rodada em 2015. Só tem um porém: sua condição. Em dois anos em Dallas, Green já passou por algumas cirurgias que quebraram seu ritmo e sua capacidade de evolução. Quando esteve em campo, Green abusou de algumas faltas, problema que Doug Free também carrega.

Certamente, a escolha de Green em 2015 foi visando uma função de swing tackle, ou seja, poder ser reserva imediato tanto do left tackle (Tyron Smith) quanto do right tackle (Doug Free). Por mais que não tenha participado tanto das partidas de temporada regular, Green pode estar sendo lapidado para assumir a função de Free no futuro.

Se isso realmente acontecer, mais uma necessidade se abriria no time: a de reserva de Chaz Green. E por que não tentar supri-la esse ano? Uma escolha de fim de draft com um ano de experiência sendo reserva pode segurar as pontas do time no momento, ou até mesmo um free agent barato, afinal seu maior papel em 2017 seria ser um mero reserva.

A linha ofensiva merece ser bastante elogiada pelo que já fez e pelo que vem fazendo, mas não merece ser menosprezada. Com bastante jogadores na unidade, ela precisa estar em constante renovação para continuar sendo a melhor da NFL. E não podemos nos dar ao luxo de deixá-la de lado por qualquer momento.

Gabriel Plat

Editor-Chefe em Blue Star Brasil
Curte NFL por escolha e o Dallas Cowboys por amor. Aprecia a boa música e compartilha outro sofrimento: o Botafogo. Um dos participantes do podcast.