No fim de semana do Super Bowl, os torcedores do Dallas Cowboys ficaram surpresos com uma notícia e tanto: Adrian Peterson, discutivelmente o melhor running back da NFL desse século, poderia atrair interesse de Dallas caso fosse cortado pelo Minnesota Vikings.

Peterson foi alvo de desejo do Dallas Cowboys no começo de 2015. Naquela ocasião, o time estava perto de perder DeMarco Murray, que terminaria indo para o Philadelphia Eagles, e All-Day estava em litígio contra o Minnesota Vikings, que não havia apoiado o jogador no incidente que suspendeu o jogador por toda a temporada de 2014.

Naquele momento, a troca era vista com muitos bons olhos pelo Dallas Cowboys, apesar de alguns problemas. Não foi à toa que escrevemos um texto analisando a possibilidade daquela troca. E se em 2015 a aquisição do jogador já era questionável, hoje ela é impensável e desprovida de qualquer sentido.

E os motivos para isso não são poucos.

 

1. Adrian Peterson já não é mais um garoto

O primeiro ano de AP na liga foi em 2007. Em outras palavras, 2017 será sua 11ª temporada na NFL. Adrian Peterson terá 32 anos no começo da próxima temporada e já é visto pelos times da liga como um running back em declínio. Pela média da NFL, o declínio dos jogadores da posição de RB são os que começam mais cedo, por volta dos 28, 29 anos. Peterson já está três anos a frente da média do declínio. Sua média de jardas em 2016 foi de apenas 1,9 por carregada nas três partidas que jogou.

E sabem porque ele só jogou três partidas? Lesão. Mais um fator que entra na conta da idade avançada.

 

2. Seu salário é alto demais

De acordo com o site Spotrac, especialista em contratos e tetos salarias das ligas americanas, Adrian Peterson ganhará 18 milhões de dólares se jogar a próxima temporada com o Minnesota Vikings. Esse salário seria somente o segundo maior do elenco do Dallas Cowboys, atrás apenas de Tony Romo. Sim, ele só viria se for cortado e com isso assinaria um contrato diferente por Dallas, mas você espera que ele receba quanto?

Darren McFadden recebeu 2 milhões de dólares para ser reserva em 2016, mesmo valor que Alfred Morris receberá em 2017. Por que Adrian Peterson aceitaria jogar em Dallas ganhando esse valor, se com certeza haverá outros times ao redor da liga oferecendo salários no mínimo o triplo desse valor?

 

3. Não há espaço no teto salarial para Adrian Peterson

Para 2017, é projetado um teto salarial de aproximadamente 170 milhões de dólares para cada time da NFL. Atualmente, o Dallas Cowboys gasta US$185 milhões em salários. Adrian Peterson receberia US$18 milhões na temporada de 2017 pelo Minnesota Vikings.

Perceberam que os números não batem?

O Cowboys precisa cortar US$15 milhões na sua folha salarial para ficar apenas no limite da liga, e isso vai muito mais além do que cortar/trocar Tony Romo, que economizaria “somente” US$5 milhões em 2017. Em uma temporada com 18 jogadores para renovar contrato, trazer Peterson iria na contra mão do que o time precisa fazer nessa offseason: evitar gastos desnecessários.

 

4. Há outras posições no elenco que precisam de mais ajuda

De todas as manobras que o Dallas Cowboys fará para ajustar seu salary cap, sobrará alguns “trocados” para fazer um certo investimento no período de Free Agency. Por esse valor ser curto, o time precisa escolher a dedo os jogadores que tentará investir, principalmente levando em conta as posições mais carentes do time.

Adrian Peterson é um running back, uma posição completamente desnecessária para o Dallas Cowboys hoje. Ok, não desnecessária se contarmos que McFadden e Lance Dunbar podem sair, mas que ainda não pede a urgência de reforços como posições de defesa como a de defensive end e a secundária, por exemplo. Caso o time perca mesmo esses dois jogadores, é completamente possível e viável repor com um veterano sem contrato mais barato ou até um jogador no draft, o que torna a vinda de AP desnecessária.

 

5. O Dallas Cowboys não precisa de Adrian Peterson

Não sei se você já reparou, mas essa frase é a primeira de todo o post em que citamos o nome de Ezekiel Elliott. E isso não foi coincidência, pois seria melhor falar do jogador por último.

A verdade é que o Time da América não precisa de Adrian Peterson. O time investiu alto em 2016 ao selecionar o melhor running back da classe do Draft e os frutos apareceram já de primeira. Com uma media de 149,8 jardas corridas por jogo, o Dallas Cowboys foi o segundo melhor time da NFL correndo com a bola em toda a temporada regular. Ezekiel Elliott foi o jogador com mais jardas terrestres de toda a liga, com um desempenho que lhe rendeu seis votos para o prêmio de MVP.

Dos 1.058 snaps do ataque na temporada, Zeke participou de 67,3% deles. Ou seja: Adrian Peterson viria para jogar os 30 e poucos por cento dos snaps que Elliott estaria descansando. Vale mesmo a pena usar o pouco dinheiro disponível para um jogador que exerceria essa função? Alfred Morris faria tão mal essa função a ponto de ter que ir atrás de um jogador como Peterson?

Sinceramente, a resposta é não.

O talento de All-Day é inegável. Seu legado é inegável. Mas para o Dallas Cowboys hoje, sua contratação é um luxo que o time não pode ter.

Gabriel Plat

Editor-Chefe em Blue Star Brasil
Curte NFL por escolha e o Dallas Cowboys por amor. Aprecia a boa música e compartilha outro sofrimento: o Botafogo. Um dos participantes do podcast.