OS CLÁSSICOS | Roger Staubach

OS CLÁSSICOS | Roger Staubach

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Foto: NFL.com

Primeiramente, o Blue Star Brasil tem orgulho de inaugurar mais uma área no site para você conhecer tudo sobre o Dallas Cowboys. Começando a falar dos jogadores clássicos que vestiram a camisa do Dallas Cowboys, o primeiro a ser escolhido por nossa equipe não poderia ser outro que não fosse ele: Roger Staubach, o maior quarterback da história do Dallas Cowboys.

 

Vida pré-Dallas Cowboys

Roger Thomas Staubach nasceu no dia 5 de fevereiro de 1942 na cidade de Cincinnati, Ohio. Decendente de alemães, Roger estudou na Purcell High School, um colégio católico, onde jogava não só o football, como também beisebol e basquete. Demonstrando talento, Staubach tentou ingressar na universidade de Notre Dame, que acredite ou não, acabou optando por não aceitá-lo. Pela recusa, Staubach decidiu ir para a universidade de Purdue, até um fato curioso acontecer.

A U.S. Naval Academy, a marinha americana, enviou um recrutador para Purcell, a escola de Roger, para recrutar o center da equipe. Após ver vídeos do time da escola, entretanto, o recrutador se impressionou com Staubach. No primeiro momento, Roger não tinha interesse em ingressar na marinha. Sendo convencido pelo recrutador, o quarterback acabou visitando o centro de treinamento e se admirou pelo forte ambiente do local, decidindo então permanecer.

Staubach HeismanEm Navy, Roger Staubach teve seu maior momento de glória em 1963, sua segunda temporada no time. Com passes precisos e mostrando muita habilidade em escapar de sacks e correr com a bola, Staubach terminou a temporada com 15 touchdowns, sendo oito deles correndo, em uma época em que não haviam regras para proteger o quarterback. Com um recorde de 9-1, Roger conduziu Navy a ser a #2 no ranking nacional universitário, ganhando o Heisman Trophy, Maxwell Award e Walter Camp Memorial Trophy. Além disso, Roger foi capa da revista Sports Illustrated e da Times.

Após sua formatura, a Naval Academy aposentou sua camisa 12. Já em 1981, Roger Staubach foi eleito para o College Hall of Fame.

Após sua graduação em engenharia, Roger Staubach serviu a marinha america e literalmente foi para guerra. Em quatro anos servindo, Staubach passou um deles no Vietnã, no auge da Guerra Fria.

 

O começo nada fácil em Dallas

Roger Staubach e Craig Morton dividem campo em treino. Foto: Harold Waters / AP Photo
Roger Staubach e Craig Morton dividem campo em treino. Foto: Harold Waters / AP Photo

Mesmo ainda tendo um ano a cumprir no college, a NFL permitiu ao Cowboys escolher Staubach na décima rodada do draft de 1964, mesmo que com os serviços militares, Roger só poderia jogar pelo time em 1969. Roger Staubach também chegou a ser escolhido pelo Kansas City Chiefs pelo draft de 1964 da até então rival American Football League, mas acabou optando por jogar em Dallas.

Chegando ao time em 1969, Roger Staubach viu a posição de quarterback ser ocupada por Craig Morton, escolha de primeira rodada do time no draft de 1965. Por acreditar no sistema que havia montado, o técnico Tom Landry manteve Morton firme na posição de titular, o que fez com que Staubach tivesse apenas alguns momentos de ação em seus primeiros anos como jogador profissional. Após a derrota do Dallas Cowboys no Super Bowl V para o Baltimore Colts, no entanto, tudo mudou.

Em 1971, Tom Landry sofreu um ultimato de Staubach: por já ter 29 anos, Roger disse à Landry que gostaria de ser trocado caso não fosse o titular. Ao começo da temporada, Tom Landry declarou à imprensa que os dois quarterbacks revezariam nas partidas, mas após uma derrota para o New Orleans Saints, Roger Staubach foi declarado como o titular do time. “Me desculpe Morton, mas eu tenho um pressentimento e Roger será nosso quarterback“, disse Landry à Craig Morton na época, revelado pelo jogador em um documentário.

 

A glória do ‘Capitão América’

Roger Staubach escapa do tackle contra o Miami Dolphins no Super Bowl VI. Roger foi o MVP da partida
Roger Staubach escapa do tackle contra o Miami Dolphins no Super Bowl VI. Roger foi o MVP da partida.

Agora titular, Staubach liderou o então 4-3 Dallas Cowboys a uma série de 10 vitórias consecutivas. A décima vitória veio justamente no jogo mais importante da temporada: o Super Bowl. Contra o Miami Dolphins, o Dallas Cowboys não tomou conhecimento e venceu a partida por 24 a 3. Com 12 de 19 passes completos para 119 jardas e dois touchdowns, Roger Staubach foi eleito o MVP da partida, sendo o primeiro jogador da história a conquistar tanto o MVP do Super Bowl quanto o Heisman Trophy.

Roger scrimmageEm 1972, Roger Staubach perdeu grande parte da temporada por uma lesão no ombro. Recuperada a lesão e a posição de titular, Roger teve uma atuação impecável na primeira partida dos playoffs contra o San Francisco 49ers. Com dois touchdowns nos últimos dois minutos de partida, Staubach liderou o time para uma vitória de 30 a 28 e acabou ganhando o apelido de “Captain Comeback”, devido a suas grandes reações e viradas no último quarto da partida. Na final da conferência, entretanto, o Dallas Cowboys acabou saindo derrotado para o Washington Redskins.

Na temporada de 1975, apesar de ter perdido o Super Bowl X para o Pittsburgh Steelers, Roger Staubach ficou imortalizado na história da NFL. Contra o Minnesota Vikings, nos playoffs, o Dallas Cowboys perdia por 14 a 10 com o relógio quase zerado quando a icônica jogada aconteceu: passe de 50 jardas de Staubach para o wide receiver Drew Pearson anotar o touchdown da vitória. Ao ser perguntado sobre o lance, Roger disse que “lançou a bola pro alto e rezou uma Ave Maria”. Desde então, todos os passes longos para a endzone com poucos segundos no relógio é chamada de Hail Mary (Ave Maria em inglês).

Líder do time, Roger Staubach só voltou à glória na temporada de 1977. Com 12 vitórias e duas derrotas, o Dallas Cowboys venceu o Chicago Bears e o Minnesota Vikings nos playoffs para voltar a disputar o Super Bowl. Lançando para 183 jardas e um touchdown, Staubach ganhou seu segundo Lombardi Trophy ao vencer o Denver Broncos por 27 a 10.

O sucesso do Dallas Cowboys, já a franquia mais popular dos Estados Unidos, estourou. A presença constante do Dallas Cowboys em finais de conferência e Super Bowl deu o apelido do time de America’s Team (Time da América). O líder, quarterback e maior jogador do time não passou em branco: Roger Staubach acabou se tornando o “Capitão América”.

Também conhecido como “Roger the Dodger” devido a sua incrível habilidade de sair do pocket e de correr com a bola, Staubach chegou mais uma vez ao Super Bowl na temporada seguinte. Enfrentando novamente o Pittsburgh Steelers, o Dallas Cowboys acabou caindo novamente, perdendo por 35 a 31. Roger lançou para 228 jardas na partida, com três touchdowns e uma interceptação.

Em 1979, Staubach consultou um médico após sofrer duas concussões. O médico o disse que não havia danos em seu cérebro, mas uma terceira concussão poderia gerar problemas para o resto da vida. Dessa forma, Roger Staubach recusou a proposta de renovação de dois anos do Dallas Cowboys e decidiu se aposentar.

Desde então, nenhum outro jogador na história do Cowboys utilizou novamente a camisa 12, apesar de nunca ter sido oficialmente aposentada. Tom Landry ainda o descreveu como “possivelmente a melhor combinação de um passador, um atleta e um lider que a NFL já teve”.

 

Legado

O primeiro da direita para esquerda, Staubach foi eleito para o Hall da Fama da NFL. Foto: www.sportsdebateuniverse.com
O primeiro da direita para esquerda, Staubach foi eleito para o Hall da Fama da NFL. Foto: www.sportsdebateuniverse.com

No geral, Staubach terminou suas 11 temporadas na NFL com 1.685 passes completos para 22.700 jardas, com 153 touchdowns e 109 interceptações. Ainda, Roger acumulou 2.264 jardas terrestres e 21 touchdowns em 410 corridas. Staubach foi eleito para o All-NFC team cinco vezes e para o Pro Bowl seis vezes (1971, 1975–1979).

Liderando a liga em passer rating em quatro temporadas (1971, 1973, 1978 e 1979), Staubach se aposentou com o segundo maior passer rating da história da NFL na época (83,4), atrás apenas de Otto Graham, com 86,6. Roger ainda liderou a liga em passes para touchdown: foram 23 passes na temporada de 1973.

Em 1983, Roger Staubach foi eleito para o Ring of Honor do Dallas Cowboys, onde teve seu nome e seu número marcados no antigo Texas Stadium e depois no AT&T Stadium. Já no ano de 1985, Staubach foi eleito para o Hall da Fama da NFL, já no seu primeiro ano de eligibilidade.

Em janeiro de 2002, Staubach recebeu o NCAA’s Theodore Roosevelt Award, prêmio dado ao jogador universitário que “melhor exemplificou os ideais e propósitos de um atleta universitário por demonstrar interesse contínuo e preocupação pela aptidão física e o esporte”. No ano de 2010, Roger Staubach foi eleito como maior jogador de todos os tempos do Dallas Cowboys em uma enquete realizada pelo jornal Dallas Morning News.

 

A vida pós-Dallas Cowboys

Roger Staubach teve sucesso fora de campo ao fundar sua própria empresa. Foto: Ron Baselice / The Dallas Morning News
Roger Staubach teve sucesso fora de campo ao fundar sua própria empresa. Foto: Ron Baselice / The Dallas Morning News

Fora de campo, Roger Staubach fundou a Roger Staubach Company Inc., uma empresa de consultoria imobiliária, no ano de 1977 e nela trabalhou após sua aposentadoria na NFL. Após 31 anos, Staubach vendeu a empresa para o grupo Jones Lang LaSalle por aproximadamente 613 milhões de dólares, onde recebeu uma pequena bagatela de “apenas” 100 milhões de dólares.

Hoje, Staubach trabalha como executivo para a empresa que comprou sua companhia. Em 2014, Staubach foi eleito pela Forbes como mais bem pago ex-jogador da NFL, tendo ganho 12 milhões de dólares em negócios no ano de 2013.

Mesmo aposentado, Roger não esquece do seu passado militar. Desde os momentos de Dallas Cowboys, Staubach se compromete a realizar ações para o Salvation Army, seja por campanhas ou propagandas, com a intenção de ajudar o exército americano

Casado com Marianne em 1965, antes mesmo de entrar na NFL, Staubach teve cinco filhos: Jennifer Anne, Michelle Elizabeth, Stephanie Marie, Jeffrey Roger e Amy Lynn.

 


Tem alguma sugestão de jogador para ser o próximo da série “Os Clássicos”? Escreva abaixo nos comentários e ele poderá ser o próximo!

Gabriel Plat

Editor-Chefe em Blue Star Brasil
Curte NFL por escolha e o Dallas Cowboys por amor. Aprecia a boa música e compartilha outro sofrimento: o Botafogo. Um dos participantes do podcast.