No dia 27 de abril, o Dallas Cowboys anunciou que a sua primeira escolha no Draft seria de um jogador de defesa. Mais do que isso, a escolha seria de um jogador de linha defensiva. Mais especificamente, Taco Charlton, um defensive end. Era a primeira vez desde 2005 que o time gastava sua escolha de primeira rodada para selecionar um jogador dessa posição no Draft.

Na pré-temporada, o jogador teve seus momentos, com dois sacks inclusive. No entanto, isso já ficou pra trás.

Com quatro jogos passados, muitos questionam no twitter do Blue Star Brasil por onde anda nossa escolha de primeira rodada. Alguns perguntam até se ele está machucado, já que mal ouvem o nome dele em campo.

Felizmente, ele não está. Infelizmente, ele não está também.

De acordo com dados do ótimo Blogging The Boys, Taco Charlton participou de 101 dos 283 snaps possíveis da defesa até o momento — 36% do total. Em uma conta quase que de padeiro, ele estaria em campo somente em uma das três descidas que o time adversário tem direito antes de conquistar o first down. Agora vamos comparar esse números com o de outros jogadores da linha defensiva.

O DT Maliek Collins é o jogador que mais participou de snaps da DL disparado, com 207 (76%) dos 283 possíveis. Logo a seguir temos DeMarcus Lawrence, com 183 (65%), Tyrone Crawford com 151 (53%), Stephen Paea (51%), Benson Mayowa (49%) e aí sim temos Taco, o 6º com mais snaps da linha. Para completar a lista, temos Brian Price (29%), Damontre Moore (17%) e Charles Tapper (13%). Os dois útlimos, vale mencionar, só participaram de duas partidas até aqui.

O que podemos tirar disso?

Primeiramente, podemos ver claramente que há uma rotação de jogadores da linha defensiva. Isso já é sabido e comum desde a chegada do coordenador defensivo Rod Marinelli lá em 2014, portanto não há o que se surpreender. O que pode acabar assustando é a preferência de alguns jogadores em relação ao Taco Charlton.

Quando você seleciona um jogador na primeira rodada do Draft, você espera que ele ao menos brigue pela titularidade na sua equipe. Em Dallas, Taco hoje é claramente um jogador para rotação e longe de ser um potencial titular para essa temporada. E como diz o ditado, nada é tão ruim que não possa piorar.

Desde a volta de Damontre Moore, Taco Charlton perdeu snaps. Se na semana 2 ele jogou 33 snaps, na última semana ele mal passou dos 20, enquanto Damontre Moore esteve mais presente em campo que ele nesse mesmo período. A partir de agora, o Dallas Cowboys contará com o retorno de David Irving, outro jogador que certamente estará mais tempo em campo e tirará mais snaps de Taco daqui em diante.

Você pode estar perguntando o porquê de isso estar acontecendo. Será que Charlton está sendo boicotado pelo time? Ou o time que não está conseguindo explorar o seu potencial? Entre todas as dúvidas relacionadas a ele, o que podemos tirar por enquanto é: ele não vem jogando bem o suficiente para merecer mais snaps. Simples.

Dos 101 snaps jogados por Taco Charlton até agora, o jogador acumulou um tackle solo e dois tackles assistidos, isto é, com ajuda. Sacks? Nenhum até agora. De acordo com dados do site oficial do Dallas Cowboys, ele registrou apenas uma pressão no quarterback em 101 snaps. Muito pouco. Para efeito de comparação, Damontre Moore que jogou apenas duas partidas e 47 snaps já tem 3 tackles solo, 3 tackles assistidos e 3 pressões no quarterback. Metade do tempo em campo e quase o dobro de produção a mais.

Ao contrário dos mais “corneteiros”, eu prefiro evitar qualquer rótulo de bust ou de escolha jogada fora. O jogador está apenas no seu primeiro ano na liga e nada impede que ele possa melhorar no futuro, se tornando um bom jogador para a equipe. Foi exatamente para isso que o Dallas Cowboys o escolheu afinal. Se ele não tivesse potencial para ser um grande jogador na liga, ele não seria avaliado como um jogador de primeira rodada.

É hora de termos paciência. Assim como foi com DeMarcus Lawrence, é possível que colhamos os frutos dessa escolha no futuro.

Gabriel Plat

Editor-Chefe em Blue Star Brasil
Curte NFL por escolha e o Dallas Cowboys por amor. Aprecia a boa música e compartilha outro sofrimento: o Botafogo. Um dos participantes do podcast.