Se vocês estão familiarizados com textos de outros sites, principalmente os estrangeiros, em épocas perto do Draft, verá que uma das coisas mais comuns além dos mock drafts é olhar para os antigos drafts.

Como sempre, teremos casos de jogadores que poderíamos ter selecionado e que estouraram em outros times e também acertos, obviamente. O único problema é que não podemos crucificar escolhas pelo que os jogadores são agora. Diante da qualidade que foi mostrada pelos jogadores e pelo que se esperava da evolução deles, não era problema colocar Richard Sherman e Antonio Brown como escolhas de 6ª rodada, por exemplo.

Aqui, faremos apenas uma simples análise sobre cada uma das escolhas do Dallas Cowboys no Draft de 2012. Ao longo dos próximos dias, a análise será feita com todos os últimos cinco drafts.

Sem mais delongas, vamos ao Draft de 2012:

 


 

CB Morris Claiborne

  • Rodada:
  • Número da Escolha: 6ª escolha geral

 

Morris Claiborne entrou no Draft de 2012 como um dos melhores prospectos da última década. Claiborne era comparado não só com Patrick Peterson, cornerback que veio da mesma universidade que ele (LSU), como também chegou a ser comparado com Deion Sanders em relação a potencial. Considerando o fato de que Mo também retornava chutes em LSU, você já pode saber de onde veio a comparação.

Foi por esse motivo que o Dallas Cowboys trocou sua escolha original de primeira rodada (14ª) e a escolha de segunda rodada para selecioná-lo. Apesar da escolha não ter sido criticada na época, Claiborne nunca correspondeu as expectativas. As constantes trocas de coordenadores defensivos prejudicaram sua evolução, assim como suas constantes lesões. Após um bom ano em 2016, Claiborne deixou Dallas e assinou com o New York Jets para a temporada de 2017.

Valeu a pena a escolha? Não.

 


 

DT Tyrone Crawford

  • Rodada: 3ª
  • Número da Escolha: 81ª escolha geral

 

Vindo de Boise State, Tyrone Crawford veio na terceira rodada do Draft para suprir os problemas no interior da linha defensiva. Apesar de ter perdido toda a temporada de 2013 por conta de uma lesão grave no tendão de Aquiles, Crawford jogou além do que se esperava dele.

Mais do que um possível titular, Crawford se tornou um dos pilares da linha defensiva e peça chave na posição de defensive tackle. O salário dado por Jerry Jones ao jogador para sua renovação pode ser contestado sim, mas é inegável dizer que Crawford superou as expectativas que tinha quando chegou ao Dallas Cowboys.

Valeu a pena a escolha? Sim.

 


 

LB Kyle Wilber

  • Rodada: 4ª Rodada
  • Número da Escolha: 113ª escolha geral

 

A partir desse momento no draft, você já precisa avaliar com calma o que se espera dos jogadores. Vindo no meio de uma quarta rodada, Kyle Wilber chegou com a expectativa de ser ao menos um reserva útil e assim ele foi ao longo de sua carreira em Dallas.

Chegando a jogar tanto de linebacker como defensive end, Wilber foi e ainda é o famoso “quebra-galho” em Dallas por um bom tempo, ajudando inclusive no time de especialistas. Por mais que ele possa ser criticado por seu desempenho em campo, não podemos dizer que ele não correspondeu com o que era esperado dele no momento da escolha.

Valeu a pena a escolha? Sim.

 


 

S Matt Johnson

  • Rodada: 4ª Rodada
  • Número da Escolha: 135ª escolha geral)

 

Se você já acompanhava o Dallas Cowboys nessa época, você já via relatos de que Matt Johnson era um safety muito promissor e que poderia valer muito mais do que a escolha de quarta rodada que o Dallas Cowboys usou nele. Só havia um problema: sua condição física.

Havia preocupações em relação as constantes lesões de Johnson durante seu período em Eastern Washington e elas se mostraram corretas ao longo da estadia de Johnson em Dallas. Com inúmeras lesões e de todos os tipos possíveis, Matt Johnson esteve no Dallas Cowboys por dois anos e não jogou nenhuma partida. Nenhuma. Depois de se lesionar novamente antes da temporada de 2014, o time o dispensou. Sem conseguir nenhum outro time, Matt Johnson se aposentou em 2015.

Valeu a pena a escolha? Não.

 


 

WR Danny Coale

  • Rodada: 5ª Rodada
  • Número da Escolha: 152ª escolha geral

 

Precisando de um recebedor para jogar ao lado de Miles Austin e Dez Bryant e também para suprir a perda de Laurent Robinson, o Dallas Cowboys confiou em Danny Coale na 5ª rodada para ajudar Tony Romo. Assim como Matt Johnson, Coale também sofreu com lesões.

Depois de não jogar a temporada de 2012, Coale se lesionou novamente antes da temporada de 2013. Naquele momento, o jogador perdeu espaço para outro wide receiver que estava se destacando: Cole Beasley. O resto é história.

Danny Coale foi dispensado em 2013 e nunca mais voltou a estar no elenco principal de outro time da NFL.

Valeu a pena a escolha? Não.

 


 

TE James Hanna

  • Rodada: 6ª Rodada
  • Número da Escolha: 186ª escolha geral)

 

Quando o Dallas Cowboys selecionou James Hanna, o time via no jogador um tight end bom em recepções e ruim nos bloqueios, acredite se quiser. Naquele momento, Martellus Bennett havia deixado o time e faltava peças na posição de tight end para fechar o elenco. E foi aí que Hanna entrou.

Ao contrário do que se esperava, James Hanna não só foi um mero jogador de compor elenco como evoluiu de uma forma muito acima do esperado. Apesar de não receber muitos passes, Hanna aperfeiçou as técnicas de bloqueio e vem sendo um jogador muito útil em determinadas formações do ataque. Saudável, ele é hoje o primeiro reserva de Jason Witten. Nada mal, não?

Valeu a pena a escolha? Sim.

 


 

LB Caleb McSurdy

  • Rodada: 7ª Rodada
  • Número da Escolha: 222ª escolha geral

 

Por ter sido selecionado no fim da sétima e última rodada do draft, McSurdy não poderia se dar ao luxo nem de ter sua vaga no elenco principal garantida. Apesar disso, era esperado que o jogador pudesse mostrar uma evolução ao longo dos anos para poder tentar ser útil ao time no futuro.

Assim como outros jogadores da classe do time nesse draft, McSurdy lidou com lesões. Em seu ano de calouro, o linebacker rompeu os ligamentos do joelho e perdeu toda a temporada. Ao competir por uma vaga no time em 2013, o jogador acabou levando a pior e foi dispensado antes mesmo da temporada.

Depois de rodar em alguns practice squads na liga, o jogador decidiu se aposentar.

Valeu a pena a escolha? Não.

 


 

Undrafted de destaque

A ideia aqui era citar apenas um nome que o Dallas Cowboys contratou ao fim do draft e que acabou dando certo, mas não podemos deixar de falar dois nomes e você vai ver o motivo.

O primeiro deles foi Cole Beasley. Vindo de SMU, Beasley chegou sem nenhuma pretensão ao time e acabou ganhando espaço com a lesão de Danny Coale. Com o tempo, Beasley foi se consolidando no time e hoje é um dos principais slot receivers de toda a NFL.

Além de Beasley, outro nome precisa ser mencionado. Trata-se de Ronald Leary, titular na linha ofensiva até o ano passado. Apesar do potencial, os times tiveram medo em selecionar Leary no draft por conta de um problema no joelho. Em Dallas, Leary superou obstáculos e se tornou titular da melhor linha ofensiva dos últimos anos. Em 2017, Ronald Leary será um dos guards mais bem pagos da NFL pelo Denver Broncos.

Entre os jogadores undrafted do Dallas Cowboys em 2012, também vale mencionar o running back Lance Dunbar, útil ao time até 2016. Em 2017, o jogador defenderá o Los Angeles Rams.

 


 

Conclusão

Nas sete escolhas do Dallas Cowboys no Draft de 2012, três corresponderam as expectativas e quatro falharam. Dentre todas, a mais importante foi a de Morris Claiborne, que não só não rendeu o esperado como também custou ao time uma escolha extra de segunda rodada. Considerando as declarações de Jerry Jones que o LB Bobby Wagner, que estaria disponível na escolha original do time na segunda rodada, era o alvo principal do time na rodada, ver o fracasso de Claiborne é ainda mais doloroso.

Ainda assim, o draft rendeu boas peças ao time e que contribuem até hoje. Tyrone Crawford é titular na posição de defensive tackle até hoje, enquanto James Hanna se tornou um TE importante no atual esquema ofensivo do time. Por fim, Kyle Wilber se tornou um bom jogador para compor elenco e também acabou sendo uma boa escolha.

No lado das decepções, podemos ver um só motivo em comum: lesões. Além de Claiborne, Matt Johnson, Danny Coale e Caleb McSurdy sofreram com lesões que atrapalharam a adaptação e a evolução ao futebol americano profissional. É injusto também criticar o departamento médico do Dallas Cowboys por isso, visto que alguns deles já haviam tido problemas iguais no futebol americano universitário.

O que fez o draft se tornar acima da média foram os jogadores não draftados. Cole Beasley se tornou um dos recebedores mais perigosos de toda a NFL, enquanto Ronald Leary se firmou como um dos melhores guards da liga e elevou o patamar da então péssima linha ofensiva do Dallas Cowboys. Lance Dunbar, quando esteve em campo, sempre se mostrou muito útil ao time.

Por mais que esse draft seja sempre lembrado pela decepção em Morris Claiborne, podemos ver que há muitos pontos positivos que merecem ser valorizados até hoje.

Gabriel Plat

Editor-Chefe em Blue Star Brasil
Curte NFL por escolha e o Dallas Cowboys por amor. Aprecia a boa música e compartilha outro sofrimento: o Botafogo. Um dos participantes do podcast.